quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Pensamentos Julimarianos [III]



Minha terna Mãe, dai-me uma fome e uma sede insaciáveis da Eucaristia!... que eu viva dela... que viva para ela... e que a minha maior aspiração seja de não me fazer senão um com Ele, pela comunhão.


- Pe. Júlio Maria de Lombaerde

[Contemplações Evangélicas, p. 385 in Anuário Sacramentino 2009]

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pensamentos Julimarianos [II]




Como foi na Encarnação, Jesus Cristo deve ser na Eucaristia: alimento, luz e amor".




- Pe. Júlio Maria De Lombaerde
[Maria e a Eucaristia, p.85]

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Peregrinação Oficial e Histórica da Paróquia Nossa Senhora do Bom Despacho à Manhumirim,

Sede da Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora
Túmulo do Padre Júlio Maria de Lombaerde

Por ocasião dos 70 anos da presença dos Missionários Sacramentinos em Bom Despacho


Por Pe. Antônio Otaviano da Costa Franco, sdn
Pároco da Paróquia Nossa Sra. do Bom Despacho

Vários são os motivos para tal visita. O primeiro que surgiu foi para comemorar os setenta (70) anos da presença da Congregação dos missionários sacramentinos de Nossa Senhora (SDN) na paróquia. Em 1939, D. Monoel Nunes Coelho, primeiro bispo de Luz, convidou o Pe. Júlio Maria de Lombaerde para assumir o pastoreio paroquial de Dores do Indaiá e de Bom Despacho. Assim, em janeiro daquele ano, os filhos espirituais de Pe Júlio Maria aqui chegaram. São setenta anos de dedicação amorosa ao povo de Deus dessas plagas centrooestinas mineiras.

Outra motivação para a visita a Manhumirim é proporcionar um melhor conhecimento do Fundador da Congregação, vendo suas obras, reveladoras que são de seus ideais missionários: o Seminário majestoso e enorme, a Casa e Colégio das Irmãs Sacramentinas, o Hospital, o Asilo São Vicente de Paula, o Patronato Santa Maria, a Igreja Matriz concluída pelo Pe. Júlio Maria, e muitos outros sinais da ação evangelizadora do grande missionário que ele foi.

Além de tudo, temos como objetivo com esta visita despertar em nossos paroquianos maior comunhão com os ideais missionários, eucarísticos e marianos que moveram o Pe. Júlio Maria a fundar a Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora

Queremos enfim com esta visita incrementar mais ainda em nossos leigos o seu ser Igreja de Jesus Cristo, com destaque para sua missionariedade, inspirados e movidos pela espiritualidade eucarística e mariana, fontes alimentadoras do ser dos sacramentinos de Nossa Senhora.

+++

Nota: A paróquia está em polvorosa por causa da Visita Oficial à Manhumirim. Fazemos votos para que tal visita frutifique no coração de todos, e que todos sintam o ardor missionário do Revmo. Pe. Júlio Maria para cumprirem o seu papel na Igreja e na sociedade!
Vamos com Deus!

-Update-

Para fins de registro, a peregrinação sai dia 27, sexta, às 22:30. Volta Domingo, dia 29, depois do Almoço.

Pro Catholica Societate

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Sacramentinos em Capítulo: o que é?

Por Pe. Aureliano de Moura Lima, sdn.

Nos dias 11 a 15 de janeiro do próximo ano, nós, Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, realizaremos o 14º Capítulo Geral de nossa Congregação em Manhumirim/MG, onde está nossa Casa-Mãe e a sede de nosso Instituto.

Em que consiste o Capítulo? É uma Assembléia constituída pelos representantes de todas as comunidades da Congregação para uma avaliação geral e planejamento do próximo quadriênio. Na oportunidade elege-se a nova equipe que coordenará a Congregação nos próximos quatro anos. Essa equipe é constituída por cinco membros: superior geral e vice, secretário geral e vice e ecônomo geral.

Nossa Congregação tem atualmente um quadro de mais de sessenta religiosos (padres, irmãos e estudantes). Atuamos em cinco estados do Brasil: Minas, Espírito Santo, Mato Grosso, Ceará e Amazonas. Sonhamos dar passos mais largos, ir para regiões mais desafiadoras, onde a presença da Igreja ainda é precária. Há muitas necessidades no Brasil e no mundo. Há realidades de abandono quase completo, de pessoas que não contam em nossa sociedade, aonde as políticas públicas não chegam, onde o único conforto e apoio costuma vir da Igreja. Queremos estar aí para trabalhar em favor desse povo. Foi esse o legado que nos deixou o nosso Fundador, Pe. Júlio Maria, que deixou a Europa no início do século passado e embrenhou na selva amazônica, trabalhando ora como professor ora como farmacêutico ora como promotor de ações sociais numa ação pastoral-evangelizadora junto àquele povo sofrido.

Contamos com o apoio e as orações de nossas comunidades para que esse tempo de Capítulo congregacional seja marcado pela abertura ao Espírito Santo a fim de darmos passos mais ousados, de levarmos a outras regiões um pouco daquilo que podemos oferecer da nossa simplicidade e pequenez.

Contamos também com nossas comunidades para que se empenhem no surgimento de vocações para o serviço da Igreja. Há muitas necessidades. A messe é grande, mas ainda a generosidade tem sido pequena. O comprometimento é ainda muito tímido. Precisamos ter coragem de sair de nosso comodismo para uma dedicação mais ousada, mais entusiasta, mais decididamente missionária na Igreja.

Finalmente contamos com as orações e o apoio de vocês para eventuais mudanças e transferências. Nós nos consagramos para o Reino de Deus. Por isso nos colocamos à disposição da Congregação para nos enviar aonde houver necessidade de nós.

Fonte: Blog da Pastoral Vocacional Sacramentina

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Pensamentos Julimarianos [I]




"A oração é a tendência habitual de procurar a Deus, a felicidade de viver com Deus"




- Pe. Júlio Maria de Lombaerde

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Epifania Eucarística

Meditação do Evangelho de Mt 2,1-12

Adoração dos Reis Magos, de Fra Angélico


Epifania quer dizer manifestação. É neste dia eu Jesus se manifestou ao mundo pagão, representado pelos Reis Magos, como se havia manifestado aos judeus na pessoa dos pastores.

Na exposição desta dupla manifestação, o Espírito Santo usa das mesmas palavras significativas. Falando dos pastores diz: “encontraram Maria e José, e o Menino” (cf Lc 2,16). Dos Magos ele diz: “encontraram o menino com sua mãe. E prostrando-se, o adoraram... oferecendo-lhes presentes de ouro, incenso e mirra” (cf. LC 2,11).

Há na Igreja uma cerimônia que muito se parece com esta manifestação de Jesus, aos querem adora-lo; tal cerimônia chama-se Exposição do Santíssimo Sacramento.

Em Belém Jesus estava como exposto nos braços de Maria, à adoração dos magos. Na bênção do Santíssimo, Ele está exposto à adoração de todos.

Na primeira exposição, Ele esconde a sua divindade e humanidade sob as aparências de uma criança. Nesta segunda exposição, Ele esconde sua divindade e humanidade sob as espécies da hóstia: porém é o mesmo Jesus, é o mesmo Deus-homem, vivo e palpitante de amor.

A cerimônia da exposição e bênção do Santíssimo Sacramento é um exercício de grande efeito espiritual, pois, ao mesmo tempo um ato de fé na presença de Deus; um ato de adoração e um ato de amor.

O Evangelho nos mostra os Reis Magos prostrados diante do berço do Menino-Deus, tendo encontrado ali o menino com Maria sua mãe, e oferecendo-lhe os seus presentes simbólicos: o ouro, o incenso e a mirra. O ouro simboliza a realeza de Jesus, o incenso a sua divindade, a mirra a sua humanidade. Sobre o seu trono eucarístico, como no presépio, Jesus é sempre Rei, Deus e Homem.

Como Rei, ele tem direito a nossa sujeição. O adorador prostra-se de joelhos diante da Eucaristia em atitude de humildade e de fé na presença de Deus, escondido sob as aparências da hóstia sagrada.

Como Deus, Ele tem direito a nossas adorações: por isto o ato principal da exposição é a adoração da sua soberana majestade.

Como Homem, Ele é nosso modelo e pela Exposição pública a Igreja mostra o seu aniquilamento para a salvação da humanidade, a sua vida de imolação e sua morte horrível, para excitar em nós a aspiração de imita-lo.

Jesus Eucarístico é ao mesmo tempo grande e pequeno; cabe a nós destacar o que é grande e o que é pequeno.

A fé e a adoração destacam a sua grandeza escondida enquanto a imitação exalta a sua pequenez misteriosa.

A Eucaristia é a espiritualidade central da Igreja: é preciso atrair as pessoas a Jesus Eucarístico. Sendo a Eucaristia Deus Escondido, é preciso faze-lo sair, o mais possível, de seu divino esconderijo, e não podendo manifesta-lo em seu estado glorioso, é mister expô-lo em seu estado eucarístico, velado sem dúvida, porém deixando perceber, pelo menos, o véu sagrado que o esconde.

Vamos, pois, muitas vezes aos pés deste novo Belém, imitando os Reis Magos, e ali encontraremos, nós também, o menino com Maria, sua mãe.

Jesus está ali, sobre o seu trono eucarístico, como nos braços de sua Mãe Imaculada; é ali que Ele quer receber nossas visitas, as nossas adorações, e os presentes que queremos oferecer-lhe: o ouro do nosso amor, o incenso da nossa oração e a mirra dos nossos sacrifícios.


Extraído do livro

“Mistagogia Eucarística do Padre Júlio Maria de Lombarde”, págs 23-23.

Bênção do SSmo. Sacramento com os padres do Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote por ocasião de sua peregrinação a Lisieux

O Papa Bento XVI abençoa os fiéis por ocasião da Solenidade da Epifania do Senhor, Basílica de São Pedro, 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Biografia do Padre Júlio Maria de Lombaerde

4 – Fundação e desenvolvimento da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria.

Em Macapá, preocupado com tantas crianças abandonadas e "tanta inocência perdida" (o abuso sexual contra menores não é de hoje, infelizmente); sofrendo com tanta infelicidade precoce, Pe. Júlio resolveu arranjar Irmãs que cuidassem da educação e formação geral dessa meninada. Bateu em muitas portas, mas não encontrou nenhuma Congregação feminina que pudesse ir para lá. Então, de repente, veio-lhe a idéia de que, se nenhuma Congregação podia ir para lá, por que não fundar uma Congregação nova, com gente de lá mesmo? Havia uma pobreza enorme de pessoal, mas "para Deus nada é impossível" - pensava o Pe. Júlio. Daí nasceu a Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria. Era o ano de 1916. Por enquanto, as Irmãs formavam um Pio Sodalício, mas com ideal definido, "Constituições" e regra de vida escritas pelo Pe. Júlio, que se transformou em "mestre espiritual", que vivia, juntamente com aquelas primeiras candidatas à vida religiosa, uma espiritualidade forte, fortemente marcada pelo Coração de Maria. A Congregação seria um dia aprovada pela Santa Sé, mas até lá, muito sofrimento, muita incompreensão. Por causa da sua ousadia, Pe. Júlio teve de sofrer muito. "Foi crucificado vivo", diz um de seus biógrafos. Ele não se queixava, não costumava desabafar. Mas, informações posteriores à sua morte, afirmam que, naqueles anos, sua vida se transformou num verdadeiro martírio, apesar do desenvolvimento da Congregação. Talvez como um preço disso mesmo.

Aos sofrimentos morais, acrescente-se a morte de uma das Irmãs, doenças de outras, doença do próprio Fundador que teve de ficar um ano e meio de repouso por causa da sezão e de feridas grandes e graves numa das pernas. Pe. Júlio, porém, interpretava tudo isso como fatos e provações providenciais, que serviam para a formação das suas religiosas. Na medida mesmo desses padecimentos, ia florescendo, como nunca, o amor a Jesus sacramentado, o espírito de oração e o amor ao sacrifício. Foi dentro dessa situação que nasceu uma alma santa, filha do coração abrasado do Pe. Júlio Maria e que foi uma bênção para a jovem Congregação: a Irmã Celeste. Viveu apenas dois anos dentro da comunidade religiosa, mas deixou um exemplo de espiritualidade inapagável, de amor e sacrifício, de doação de si, de generosidade e fortaleza. O Pe. Júlio atribuía à intercessão da Irmã Celeste a cura miraculosa das feias feridas, que nenhum remédio conseguia sarar, de sua perna. Cura efetuada da noite para o dia. Literalmente, da noite para o dia, depois de recorrer fervorosamente à intercessão de sua querida filha espiritual.

De qualquer maneira, uma epidemia de febres assolou Macapá, matando em poucos meses, várias irmãs e alunas do Colégio. Por causa disso, decidiu-se mudar as Irmãs e o Colégio de Macapá para Pinheiro, a 36km de Belém. Colégio e Congregação se desenvolveram e três anos depois, já podiam viver por conta própria, já não precisavam tanto do Fundador fisicamente junto delas. Desde então, o Pe. Júlio resolveu concluir seus planos: fundar uma Congregação masculina de padres e missionários. Conseguiu, com muita luta e paciência, a necessária autorização do Conselho de sua Congregação de origem e começou a dedicar-se mais integralmente aos planos da nova obra. Buscou um Bispo que acreditasse nele e na obra que queria fazer. Encontrou Dom Carloto Távora, Bispo de Caratinga, MG, e rumou para o Sul. Com viagem marcada e tudo preparado, eis que seu Superior lhe pede que fique um tempo no Nordeste, em Alecrim (Natal, RN), de onde se transferia o Pe. Theodoro Kok para Pinheiro, que iria cuidar da Congregação fundada pelo Pe. Júlio Maria. Sempre obediente, Pe. Júlio permaneceu em Alecrim, na paróquia, de setembro de 1926 a fevereiro de 1928.


(Este texto é uma resenha e um rearranjo do livro “Pe. Júlio Maria, sua vida e sua missão”, de Dom Antônio Afonso de Miranda, sdn, o primeiro religioso da Congregação do Pe. Júlio Maria escolhido para ser bispo, hoje Bispo Emérito de Taubaté, SP, e que foi o primeiro biógrafo do seu Fundador.)

[Continua...]

domingo, 15 de novembro de 2009

Boletim "Civitas Dei" do Apostolado Sociedade Católica - Nº 7

O Boletim desse bimestre trabalha uma relação interessante entre os Mártires da Igreja e Cristo-Rei, razão da esperança Cristã e do próprio Martírio. Destaque para o belo artigo "Os Mártires de Nossa Época", escrito pela ótima Mariana Santos, minha amiga. E também para a catequese do Papa Bento XVI sobre São Bernardo.



Do Editorial:


"Continuamos nossa jornada rumo ao fim do ano. Já a próxima edição de nosso boletim abrangerá o início de 2010. Em agosto, no dia em que veneramos de maneira singular o Doutor da Graça, nosso website –www.sociedadecatolica.com.br – fez aniversário, tempo propício à renovação e reflexão acerca dos compromissos que assumimos, dos amigos que fizemos, das sementes que plantamos. Realizamos um Diretório com esse fim. Buscamos traçar algumas diretrizes importantes.

O período de outubro é conhecido pela índole missionária. Comemora-se as duas Teresas, doutoras carmelitas famosas pelo ardor na perene missão confiada por Deus a seus filhos. Também possuímos uma missão que consiste em propagar e defender a Fé de tal modo que a sociedade seja permeada de valores católicos e se torne uma efetiva Comunhão de Santos. Que Santa Teresinha de Lisieux interceda por nós!

Se o calendário civil termina em dezembro, o ano litúrgico dá seu último passo com a solenidade de Cristo, Rei do Universo. Não sem antes voltar sua atenção a todos os santos e aos fiéis defuntos. Que descansem em paz e roguem por nós. Também deteremos nosso olhar sobre Roma e as basílicas-mães no Latrão e na Sé à margem do Tibre. Glória a Ti, Igreja Santa!

Que os muitos veneráveis homens e mulheres de fé, em especial aqueles cuja memória fazemos nesses últimos dias – São Francisco, São Lucas, São Simão, Judas e André apóstolos, o grande Leão, Papa e Alberto, mestre do Angélico – conjuntamente à Serva do Senhor, a qual, concebida imaculada, emergiu das águas para as profundezas do coração do povo brasileiro, sejam solícitos a nossas

súplicas. O Senhor nos preserve da apatia e nos conceda vigor de espírito enquanto militamos nessas terras, vermelhas de sangue, sentinelas dos corpos dos mártires. "


Para fazer o Download do Boletim, basta acessar: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/rmdp/down.php?id=17

sábado, 14 de novembro de 2009

Livro "Mistagogia Eucarística do Pe. Júlio Maria"


A Editora O Lutador, fundada pelo Pe. Júlio, acaba de lançar o livro "Mistagogia Eucarística do Pe. Júlio Maria de Lombaerde". Trata-se de uma coletânea de meditações eucarísticas sobre diversas passagens da Sagrada Escritura.

DEO GRATIAS!

Capa do livro, que traz a assinatura do Pe. Júlio como
Missionário da Sagrada Família [MSF],
Congregação da qual fazia parte.


As meditações foram todas retiradas de livros do Pare Júlio, em especial do "Comentário Eucarístico do Evangelho Dominical", e também do "Maria e a Eucaristia"e do "Sol Eucarístico e Trevas Protestantes". São 36 textos mistagógicos, cheios da espiritualidade eucarística do Pe. Júlio, que são "o derramamento poético e místico de alguém que tinha como projeto de vida a conformação ao Cristo Eucarístico a partir da figura de Maria Santíssima", conforme nos diz a apresentação do livro.

Tal obra é um grande passo para a difusão da figura do Padre Júlio, tendo em vista que há muito seus livros deixaram de ser publicados. É verdade que não é absolutamente necessário ler o que ele escreveu para conhece-lo, mas se o queremos conhecer bem, temos que conhecer também o que pensava, o que sentia. E é justamente isso o que o padre punha em suas obras. É fundamental, portanto, poder apresentá-lo do ponto de vista de sua literatura.

E não é só. O "Mistagogia Eucarística", apesar de já ser, em si, uma grade realização, é parte de um projeto mais amplo: É o primeiro volume da coleção "Escritos do Fundador". Esperaremos com ansiedade os próximos volumes!

Não poderia deixar de agradecer, ex cordis, ao Revmo. Pe. Marcos Antônio Alencar Duarde, sdn, superior da Pastoral Vocacional Sacramentina, que como tal compilou os textos, organizou e levou a cabo a publicação do presente volume. Será um instrumento importantíssimo na pastoral, bem como para, como já disse, tornar o Pe. Júlio melhor conhecido mundo afora.

Agradecimentos também à toda equipe editorial: Ao Rodrigo Ladeira, sdn, pela diagramação e arte, aos padres Heleno e Herval, sdn, pela revisão, ao Diácono Jesus Sombra, sdn, pela revisão e introdução e em especial ao Revmo. Pe. Carlos Roberto Altoé, superior-geral dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, pelo apoio e estímulo.

TE DEUM LAUDAMUS!

E agora, o mais importante! Como comprar o livro!

Para adquirir o volume, basta entrar em contato com a Editora O Lutador:

Gráfica e Editora O Lutador
- Telefax: (31) 3439-8000 -
- comercial@olutador.org.br -
Praça Padre Júlio Maria, 01 - Bairro Planalto - Belo Horizonte/MG

Poderá também comprar direto pelo sítio da editora [http://www.olutador.com.br], nesse link: [http://www.olutador.com.br/informaximo/loja/descricao.asp?codigo_produto=242], que já leva direto à página de descrição do Mistagogia Eucarística. E não é caro: apenas R$ 20,00, com toda a qualidade editorial da Editora O Lutador!

Espero que os interessados possam conhecer melhor a pena refinada e fidelíssima à Igreja e à seu tempo do Pe. Júlio!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

De Joelhos

Padre Júlio Maria de Lombaerde

Uma belíssima foto de um Guarda Suiço no momento da consagração,
todo um respeito e uma profunda adoração a Jesus na Eucaristia.


De joelhos, ó homens, diante deste Deus escondido, mas vivo, que é o Mestre de todos!

De joelhos diante D’Aquele que manda às ondas humanas, como manda às ondas do mar!

De joelhos diante do Criados e nosso Redentor, diante da criança do Presépio e do crucificado do Calvário!

Deixai o Deus de amor atravessar as linhas da humanidade, e dizei o canto da libertação que os homens cantaram sobre o seu berço: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!

É o mesmo Jesus, o nosso Redentor, o mesmo Deus escondendo ali a sua divindade, sob as frágeis aparências de uma criancinha, ocultando aqui a sua divindade e humanidade, sob as aparências mais frágeis ainda, de uma pequena e branca Hóstia.

Mas é sempre Ele, real e substancialmente presente.

De joelhos, diante de sua majestade que se esconde!

De joelhos diante de seu amor que se irradia!

De joelhos!

Lembremo-nos de que o homem nunca é maior do que quando se prostra de joelhos!

“Aquele que se humilha é que será exaltado”, - disse o Divino Mestre.

Amém!



Extraído de “Oremos – Pequeno Manual de orações cotidianas” da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.



Pequena ausência

Aos leitores deste espaço, mesmo que sejam dois ou três, devo desculpar-me pela ausência um pouco prolongada. De fato, algumas atividades mais intensas tomaram o lugar do cuidado com o Blog.

Entretanto, publicamos hoje um texto muito belo do Pe. Julio, “De joelhos”.

Espero que os leitores apreciem.

Em Cristo e Maria da Eucaristia,

Matheus R. Garbazza

Pro Catholica Societate

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pe. Júlio Maria e o trabalho paroquial


Por Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, sdn

A V Conferência Latino Americana e Caribenha foi um acontecimento eclesial marcante, pois nos colocou enquanto Igreja num estado permanente de missão. Somos discípulos-missionários de Jesus Cristo, estamos atentos ao mandato missionário do Senhor: “Ide, pois, fazer discípulos meus entre todas as nações, batizai-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).

Quantos estudos, projetos e iniciativas surgiram após os apelos do Documento de Aparecida? Se fôssemos apontar as luzes que já se acenderam após Aparecida, certamente teríamos que gastar muita tinta e papel. Nosso objetivo neste artigo é centrar nossa reflexão a partir da transformação da Paróquia através do empenho missionário do sacerdote, iluminado pelo testemunho de nosso Fundador, o Pe. Júlio Maria De Lombaerde.

O tema torna-se interessante pela sua atualidade e por estarmos no ano sacerdotal, cuja finalidade é animar, fortalecer e despertar no coração de cada sacerdote a certeza de que a fecundidade de seu ministério está na fidelidade a Cristo e à sua Igreja.

O Pe. Júlio Maria, comprovado missionário da Congregação da Sagrada Família, após várias experiências missionárias na Europa e na áfrica, chegou ao Brasil em 1912. Trabalhou nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil. Sempre teve consciência de que a Paróquia não é apenas um espaço físico ou burocrático. Não gastou tempo e nem forças em obras paroquiais pesadas, pelo contrário, dinamizou a vida paroquial através de coisas simples como visitas às famílias e dedicação no atendimento às pessoas que o procuravam para receber o sacramento da reconciliação. Quando se dedicou à construção de colégios, abrigos, hospitais e seminário foi para que seus religiosos usassem esses meios para servir aos destinatários da missão. Sua preocupação era seu rebanho. A necessidade do rebanho era a do pastor. Foi a modo de Paulo um instrumento de fazer o bem a partir das necessidades do seu povo.

A Paróquia, na concepção do Pe. Júlio Maria é um campo de missão onde a Palavra de Deus é anunciada, os cristãos são alimentados pela ação sacramental da Igreja e pela visitação do seu pastor. Aos poucos os féis vão se encontrando com Cristo e mais do que depressa percebem qual é sua missão no mundo.

O jeito de ser sacerdote missionário do Pe. Júlio Maria se manifesta em todas as suas ações. Basta lembrar suas catequeses e pregações, seus escritos, sua preocupação com a formação de novos missionários, sua dedicação no atendimento às pessoas, seu empenho na educação, na saúde, seu carinho com as crianças e com os idosos. Sua forma de ser sacerdote movimentava a Paróquia.

O Pe. Júlio Maria tinha clareza de que a fecundidade do apostolado paroquial não depende exclusivamente das estruturas que temos ou dos agentes de pastoral, mas a transformação paroquial começa no encontro do sacerdote com Jesus Cristo. Ele mesmo dizia, citando o Pe. Giraud, que “não entendia um padre que fosse apenas padre e não hóstia”. No seu jeito de ver, entender e viver o ministério ordenado este pensamento estaria incompleto porque o padre-hóstia “é feito participante de seu sacerdócio, é feito também participante de seu estado hóstia”. Em outras palavras, o padre-hóstia é um sacerdote que vive em tudo sua vocação sacerdotal de presidir a comunidade, santificar o povo de Deus e de proclamar e ensinar a Palavra de Deus. Para que isso aconteça é necessário o encontro de Jesus com seus ministros ordenados. Só um sacerdote apaixonado por Jesus Cristo e por sua Igreja transformará o ambiente eclesial em que vivemos.

O jeito do Pe. Júlio Maria ser sacerdote na Paróquia fala muito a cada um de nós. Seu testemunho nos ajuda a entender o seguinte: “A renovação da Paróquia exige atitudes novas dos párocos e dos sacerdotes que estão a serviço dela. A primeira exigência é que o pároco seja autêntico discípulo de Jesus Cristo, porque só um sacerdote apaixonado pelo Senhor pode renovar uma paróquia. Mas ao mesmo tempo deve ser ardoroso missionário que vive o constante desejo de buscar os afastados e não a simples administração” (DA, n.201). “Para poder realizar frutuosamente o ministério pastoral, o sacerdote tem necessidade de entrar numa particular e profunda sintonia com Cristo, o bom pastor, o qual permanece sempre o único protagonista principal de toda ação pastoral” (DIP, n. 38). O presbítero é a imagem do Bom Pastor, é chamado a ser homem de misericórdia e compaixão, próximo a seu povo e servidor de todos, particularmente dos que sofrem grandes necessidades. A caridade pastoral, fonte da espiritualidade sacerdotal, anima e unifica sua vida e ministério. Consciente de suas limitações, ele valoriza a pastoral orgânica e se insere com gosto em seu presbitério” (DA, n. 198).

O Pe. Júlio Maria revolucionou a vida paroquial com poucos recursos. Seguindo o que diz o Documento de Aparecida ele renovou a Paróquia porque foi um autêntico discípulo-missionário de Jesus Cristo. Dava gosto ser cristão, o povo tinha em seu meio um sacerdote que era um outro Cristo. Isto entusiasmava os fiéis aos grandes heroísmos da fé.

Contemplando o jeito de ser sacerdote do Pe. Júlio Maria, os jovens poderão dizer: “Quero ser um padre-missionário de Jesus de Cristo com o foi este servo de Deus, o Pe. Júlio Maria”. O que fazer? Entre em contato conosco e juntos nos empenharemos na construção do Reino Eucarístico de Jesus.

Fonte: http://pvsacramentina.blogspot.com/2009/10/pe-julio-maria-e-o-trabalho-paroquial.html / Jornal Vocacional Semente, ano XXXVIII, N° 177.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Realizou-se o I Diretório do Apostolado Sociedade Católica

Do dia 7 de setembro ao dia 7 de outubro p.p., o Apostolado Sociedade Católica realizou seu I Diretório Geral. O Diretório é o órgão colegial máximo do Apostolado, e foi convocado para podermos refletir melhor sobre a sua estrutura e suas formas de ação, em estrita fidelidade à Igreja de Nosso Senhor e à Missão do Apostolado, preciosa para o mundo moderno.

Com o passar dos anos, e com as movimentações de pessoas pelo Apostolado, preciosas contribuições foram ofertadas à organização deste, tanto na forma de regras a serem seguidas quanto por ações a serem executadas. Merecem menção a Regra vigente atualmente, com seus preceitos de fidelidade e obediência, e com os primeiros artigos sobre a constituição governamental do Apostolado, bem como o nosso I Concurso de Artigos, realizado em setembro e outubro de 2008, e as campanhas contra o Comunismo e o Aborto, e a favor da família e do Matrimônio.

A Direção do Apostolado julgou que fosse a hora oportuna de, rememorando toda a caminhada do Apostolado até agora, e em harmonia com a sua inspiração inicial, sob a proteção e assistência do Espírito Santo e a sempre favorável intercessão da Virgem Maria e de Santo Tomás de Aquino, padroeiro do Apostolado, nos unirmos para “pensarmos e agirmos para o desenvolvimento da forma e organização deste Apostolado, sem desviar de seus fundamentos e princípios, tomando em si a Missão de fortalecer a identidade Católica dos fiéis” [PASSOS, João Batista. Carta de Convocação do I Diretório do Apostolado Sociedade Católica].

Foram dias de intenso trabalho e de uma participação muito frutuosa de todos os membros, que se envolveram plenamente, segundo suas próprias possibilidades, para o bom êxito do nosso Diretório. A dinâmica dos trabalhos foi simples, mas bastante eficaz e favorecedora da participação de todos. Reunindo-nos, ainda que virtualmente, pudemos ter a liberdade de estruturar e apresentar propostas para a ação do Apostolado. Cada um pode comentar as propostas apresentadas, de modo a desenvolver e aperfeiçoar o texto delas. Pudemos contar ainda com a presença certa e motivadora do Diretor Geral, sempre atento aos pontos essenciais das propostas. Os trabalhos foram coordenados mais diretamente pelo Diretor-adjunto do Apostolado, João Batista Passos.

Ao todo, foram apresentadas 11 propostas diretas, sobre os mais variados temas. Tivemos ainda 5 propostas intimamente ligadas à constituição de uma das principais, que pela complexidade de multiplicidade de pontos mereceram ser apreciadas separadamente. As propostas, feitas com cuidado e atenção, receberam numerosos comentários e foram elaboradas em vistas da redação dos Documentos Oficiais que, após publicados, constituirão fator fortemente agregador e direcionador da ação do Apostolado e de seus membros.

Além das propostas, foram apresentadas proposições de atividades a serem realizadas pelo Apostolado em um tempo determinado, num curto prazo. As atividades poderão ser facilmente acompanhadas, e serão apresentadas no sítio oficial.

No dia 7 de outubro, em que fizemos memória de Nossa Senhora do Rosário e da vitória da esquadra cristã na batalha de Lepanto, encerraram-se os trabalhos do I Diretório. O desejo geral é de que “este período possa ter sido proveitoso, não somente no que diz respeito ao Apostolado e sua estruturação, mas também a todos os que aqui participaram e puderam refletir a relação pessoal e particular que cada um possui com este Apostolado” [PASSOS, João Batista. Carta de encerramento do I Diretório].

Temos agora um bom volume de material, provindo das propostas, a ser trabalhado. Todo ele foi editado e enviado ao Diretor Geral para que, no uso de suas atribuições, possa aprová-lo e assim dar início ao processo de redação dos Documentos do Apostolado, bem como autorização das atividades a serem desempenhadas.

Considerando o conjunto de informações vistas aqui, tomamos conta de que o Apostolado é um projeto imenso, talvez, grandioso demais ao nos depararmos com sua Missão e responsabilidade diante de Deus, da Igreja e com os muitos que de alguma forma utilizam este Apostolado para estarem unidos e sentirem-se unidos com os ensinamentos e Fé da Igreja Católica.

Surgem as dificuldades, desânimos que muitas vezes sentimos, falta o tempo tão valioso para as ações de um Apostolado, mas tudo ao seu tempo, tudo ao tempo de Deus” [PASSOS, João Batista. Carta de encerramento do I Diretório].

Esperamos que, no espaço de tempo mais breve possível para a realização das próximas tarefas, possamos apresentar aos fiéis católicos os resultados desse nosso I Diretório. Temos fé que, pela ação inefável do Espírito Santo, esse Apostolado (mais ainda agora com o influxo positivo do Diretório) dará bons e abundantes frutos para a Santa Igreja. Com a graça de Deus, poderemos um dia exprimir o nosso “Consumatum est!”, nosso “missão cumprida”, em que triunfará na sociedade os valores do Evangelho de Cristo. Por hora, nessa grande Terra, em missão, reforçamos nosso brado, nosso lema, que é nossa razão de ser: PRO CATHOLICA SOCIETATE!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

[Comentários Apologéticos] O Depósito da Revelação

4º Domingo do Advento (Segundo a forma extraordinária do Rito Romano)


Evangelho: Lc 3, 1-6

1. No ano décimo quinto do reinado do imperador Tibério, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da Ituréia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca da Abilina,

2. sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra do Senhor no deserto a João, filho de Zacarias.

3. Ele percorria toda a região do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados,

4. como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías (40,3ss.): Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

5. Todo vale será aterrado, e todo monte e outeiro serão arrasados; tornar-se-á direito o que estiver torto, e os caminhos escabrosos serão aplainados.

6. Todo homem verá a salvação de Deus.

Comentário Apologético

O Evangelho de hoje é uma introdução majestosa ao grande acontecimento do nascimento de Jesus Cristo.

A figura saliente deste belo quadro é João Batista, pregando o batismo de penitência como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías.

Esta frase nos mostra que o Precursor não pregava uma doutrina nova, pessoal, mas ia tirando do depósito da revelação tudo o que ensinava.

Nós também temos este depósito, o mesmo, porém, mais completo do que o de João Batista.

Para ele havia a revelação divina, feita a nossos primeiros pais, a Moisés e aos profetas, enquanto além disso nós temos as palavras de Jesus Cristo e dos Apóstolos.

Meditemos hoje sobre este assunto, considerando a dupla fonte da Revelação, formando um único depósito, a saber:

  1. A Sagrada Escritura;
  2. A Tradição Católica.

Teremos, deste modo, uma idéia clara sobre o fundamento da religião e sobre a firmeza imutável dos seus princípios.

I – A Sagrada Escritura

As verdades reveladas e os preceitos impostos pela revelação estão contidos na Sagrada Escritura e na Tradição.

A primeira parte da Sagrada Escritura, a que chamamos Antigo Testamento, contém as revelações feitas antes de Jesus Cristo; enquanto o Novo Testamento contém as revelações feitas pelo próprio Jesus Cristo e pelos Apóstolos.

Temos a plena certeza da integridade e autenticidade da Sagrada Escritura, pela autoridade infalível da Igreja, que demonstraremos mais adiante.

Notemos bem que a Sagrada Escritura é a Palavra de Deus, escrita sob a inspiração do Espírito Santo, tendo Deus por autor, e transmitida como tal pela Igreja. (Conc. Trento: De fide, II).

Sendo a Bíblia a palavra de Deus, não é a aprovação da Igreja que faz que seja a palavra de Deus. A Igreja infalível, para todo equívoco ou dúvida da parte de seus filhos, declara que tal livro, e não um outro, é Sagrada Escritura, e portanto a palavra de Deus.

A Igreja proclama um fato, mas não é a causa deste fato.

Sabemos e cremos, por exemplo, que o Evangelho contém a vida, atos e doutrinas de Jesus Cristo, mas qual entre os vários livros, que tem este nome, é o Evangelho autêntico?

É a autoridade infalível da Igreja que nos dá a certeza. Sem esta autoridade, o Evangelho será sempre a palavra de Deus, mas ninguém saberá distinguir o Evangelho verdadeiro.

Nossos sentimentos para com a Sagrada Escritura devem ser de respeito profundo, pois devemos o mesmo respeito à palavra de uma pessoa que à própria pessoa.

É Deus que levou tal homem a escrever, instruindo-o do que devera escrever, sugerindo-lhe o fundo das verdades e o modo de dizê-las, conduzindo-o pela graça de modo que não pode errar. Tudo o que escreveu tem por autor o próprio Deus, sendo, pois, a Sagrada Escritura: a palavra de Deus.

II – A Tradição

A Tradição, rejeitada ilógica e anti-biblicamente pelos protestantes, é também a palavra de Deus, a sua palavra não escrita por homens inspirados, mas transmitida oralmente e escrita depois pelos católicos dos primeiros séculos.

Não pode existir dúvida a respeito da existência da tradição, pois é certo que tudo o que fez ou disso o Salvador, não foi escrito, como no-lo afirma São João, no fim de seu Evangelho: Muitas outras coisas há que fez Jesus, as quais, se se escrevessem, nem o mundo todo poderia conter os livros que seria preciso escrever. (Jô 21, 25)

São essas coisas que Jesus disse e fez e que não foram escritas, que chamamos Tradição.

São Paulo escreve aos tessalonicenses: Permanecei firmes e guardai as tradições que aprendestes, ou por nossas palavras ou por nossa carta (2 Tess 2, 14)

Esta recomendação do Apóstolo prova que ele não ensinara tudo por escrito, mas que pregou muitas coisas que não chegou a escrever.

Ora, compreende-se que uma palavra falada de uma pessoa tem tanto valor quanto à sua palavra escrita. É a mesma palavra: o que difere é apenas o meio de transmissão.

Aqui de novo deve intervir a autoridade infalível da Igreja, para declara qual tradição em particular vem de Jesus Cristo ou dos Apóstolos.

Ao comparar essas duas vias de transmissão da palavra de Deus, pode-se dizer que a Tradição é a mais importante, porque sem ela quem nos certificará da integridade dos Evangelhos e outros livros sagrados?

Quem nos indica com certeza o sentido de certas passagens obscuras na Bíblia? A tradição, recolhida pela Igreja.

Quem ensinou a religião de Cristo antes de serem escritos os Evangelhos? A Tradição.

O Salvador deu aos Apóstolos a missão não de escrever a sai palavra, mas de prega-la a todas as nações. (Mc 16, 15)

Conclusão

Tal é o grande depósito da Revelação: a Sagrada Escritura e a Tradição; sendo a primeira escrita por inspiração divina, e a segunda pregada pela mesma inspiração, conservada oralmente pelos primeiros fiéis que a transmitiram de pai para filho, até que foi escrita por sua vez pelos escritores da Igreja, eu a recolheram, sem assistência especial do Espírito Santo, mas por amor à verdade.

Este depósito é guardado e apresentado pela autoridade infalível da Igreja, sendo esta mesma autoridade que nos apresenta a Tradição, pela voz do Papa, dos Concílios ou escritos dos Santos Padres, pelos Símbolos da fé, a liturgia, a disciplina da Igreja e os monumentos religiosos dos primeiros séculos.

Este depósito sagrado devia, necessariamente, ser confiado a uma sociedade, cuja finalidade é conserva-lo íntegro, interpretar e aplicar estas revelações, conforme a ordem recebida do Divino Mestre: Ide, ensinai todas as gentes a observar todas as coisas que vos mandei... e eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos. (Mt 28, 19)

Sem este depósito a religião não teria continuidade de existência, nem laço que a prendesse a Deus.

Exemplos

1. Em plena água doce

Pobres náufragos, recolhidos em uma canoa, faziam sinais desesperados a um grande vapor americano que passava ao largo. Foram percebidos e socorridos. Estavam morrendo de sede, e com a voz fraca diziam: ‘Dá-nos de beber!... água... água...!’

Admirado, o capitão perguntou-lhes se sabiam onde estavam.

-Não! Não sabemos de nada!

Estão na embocadura do Amazonas... Estão morrendo de sede, e não têm senão de estender a mão para beber: estão em plena água doce.

Assim acontece com muitos homens. Querem desalterar a sua sede de religião e não sabem onde encontrar a água doce da verdade... enquanto estão nadando no meio dela, no seio da Igreja Católica, que tem o depósito das verdades divinas na Sagrada Escritura e na Tradição.

2. O Elefante e as tartarugas

O senador de Mohrenheim era católico e embaixador da Rússia cismática perto da corte herética da Prússia.

Um dia atacaram a religião católica em sua presença. O caso era delicado, pois tanto o país que representava quanto a corte onde estava eram inimigos do catolicismo.

O embaixador não desanimou, e não querendo magoar a ninguém, nem deixar insultar a sua fé, pediu licença para fazer uma simples observação, e disse:

“A cosmologia indiana representa o mundo sob a forma de um elefante, tendo as quatro patas em cima de enormes tartarugas. Que é que sustenta as tartarugas? Os indianos não o dizem. O sistema religioso deles está, pois, no ar, sem base: é falso.

“O protestantismo como o Catolicismo apoia-se sobre os quatro Evangelhos... mas sobre o que apóia-se a autenticidade destes Evangelhos? Não admitem nada além do Evangelho... Logo, o sistema deles é tão falso e errado como o dos indianos.

“O catolicismo apóia-se sobre os quatro evangelhos, e estes Evangelhos são sustentados, declarados autênticos, pela Tradição e pela Autoridade da Igreja. Logo, é o único sistema religioso que tem base certa”.

Ninguém replicou a esta demonstração; e até hoje as quatro tartarugas enormes do budismo como do protestantismo continuam suspensas no ar, enquanto o Evangelho católico está seguro e indefectível sobre a Tradição e a autoridade.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Liga Católica

Neste primeiro número do Lutador merece lugar de honra a fotografia da Liga Católica de Manhumirim. A Diretoria, composta de homens de destaque em nossa sociedade, constitui um elemento de progresso e de dignidade, do qual se pode esperar tudo o que é grande e nobre.

A Liga católica, cuja finalidade é a prática leal e briosa da nossa santa religião, a defesa dos seus sagrados princípios, e o realce das suas cerimônias, já conta com mais de 320 homens.

E este número é apenas um começo.

Em Breve contará seus 500 homens decididos, firmes, que proclamarão bem alto o espírito religioso do povo mineiro, e entre este povo, dos habitantes de Manhumirim.

A concorrência das festas, a freqüência dos ofícios religiosos aos Domingos, a assistência numerosíssima no mais perfeito recolhimento, as conferências semanais dos homens, são provas cabais da vitalidade da religião de Jesus Cristo, e do sopro vivificador que passou por entre os católicos, depois das polêmicas com os protestantes.

Como Deus sabe servir-se do mal, para faze-lo concorrer à realização dos seus planos!

Estávamos numa paz relativa – numa espécie de entorpecimento religioso – o protestantismo julgou a hora oportuna de espalhar os seus erros e seu espírito de revolta contra a Igreja do Cristo – e eis que a pedra que eles atiraram contra esta Igreja recaiu sobre eles e está esmagando-os sob o seu peso.

Não somente a Igreja Católica saiu incólume da peleja, mas saiu radiante, resplandecente, fulgurante; mostrando de um lado a sua fecundidade, a sua santidade, o seu eterno triunfo, e de outro lado, mostrando a perfídia, a hipocrisia e a supina ignorância dos seus adversários: os tais pastores intrusos e mercenários.

O feitiço virou contra o feiticeiro.

Em vez de abalar a fé dos católicos, esta fé arraigou-se, solidificou-se extraordinariamente; e muitos católicos, já meio seduzidos pelo erro, voltaram ao rebanho único e verdadeiro da Igreja Católica, sem falar dos muitos protestantes que renunciaram a seus erros tornando-se de novo filhos dedicados da Santa Igreja.

É sobre as ruínas ainda fumegantes da protestantismo que se fundou a bela Liga Católica, isto é: a união dos católicos verdadeira, para defenderem a sua fé e a fé dos seus filhos, e continuar a repelir, com desassombro, o erro e a revolta de Lutero.

É como órgão desta reação que nasceu O Lutador, que será como o lábaro, o porta-voz, o clarim da Liga Católica, espalhando as suas obras, as suas iniciativas e o seu entusiasmo.

Eis a nossa Liga Católica

É uma força... é um exercício de valentes cujo estado maior é constituído pela Diretoria, tendo à sua frente o Vigário da freguezia[1], ou melhor, o próprio Bispo que ele representa.

Os nossos homens estão de parabéns! O triunfo é nosso, porque temos para nós a Verdade, o auxílio do Altíssimo, a virtude e o número.

E tudo isso é como a desforra dos ataques insensatos dos protestantes.

Hoje o catolicismo de Manhumirim não é mais um catolicismo adormecido, latente; é uma fé vibrante, estuasiasta, empreendedor, conquistador... é um fogo que quer espalhar-se, e há de espalhar-se.

A prova está no belo e fecundo movimento religioso da paróquia.

Além dos 320homens da Liga a paróquia conta com 250 associados do coração de Jesus, 80 membros da Cruzada Eucarística, 60 filhas de Maria e um centro de Catecismo com 215 crianças.

E tudo isso progride, desenvolve-se e há de duplicar-se, com a graça divina.

Eis a nossa força espiritual.

Tudo isso é belo, é grande, e tudo isso indica claramente o dedo de Deus.

Continuamos, decididos e unidos, e breve desaparecerá de Manhumirim a triste e decadente seita do protestantismo, para só deixar subsistir um só rebanho e um só pastor, a unidade da fé, no seio da Igreja Católica: fiet unum ovile et unus pastor, como diz São João (10, 16).

Eis o ideal da Liga Católica. A união faz a força. O catolicismo é a religião da união, como o protestantismo é a seita da desunião.

Continuemos unidos e seremos fortes da força divina, desta força que sempre triunfa, e cujo triunfo é a coroa eterna (II Tm 4, 7).

Eis porque figura neste primeiro número a fotografia dos homens da Liga Católica. Tal fotografia dos homens da Liga Católica.

Tal fotografia é um programa... é um ideal... é um exemplo... é sobretudo um triunfo. O triunfo do Cristo!

Deo Gratias, qui triumphat... nos in Christo Jesu. (II Cor 11,14)

P. Júlio Maria



[1] NdE: Freguezia, na nomenclatura eclesiástica da época, equivale à paróquia.

domingo, 20 de setembro de 2009

Apreciação dos escritos do Pe. Júlio

A revista Lar Católico, da Congregação dos Missionários do Verbo Divino, a propósito do livro Polêmicas de Doutrina, de Ciência e de Bom Senso (1933), dedicou-lhe a seguinte apreciação:

O Rvmo. Pe. Julio Maria tem uma pena terrível – digam-no os protestantes, espíritas e outros adversários da religião católica. Metam-se com ele, para verem o que fica de suas doutrinas. Este livro, mais um primor do trabalho apologético do apostolo lutador de Manhumirim, deveria ter a mais ampla divulgação entre as famílias católicas. Quem é hoje o católico que não ouça constantemente as invectivas de um protestantismo rancoroso e arrogante, do espiritismo ímpio e desrespeitador, sem saber ás vezes achar a resposta pronta e acertada? Nesta polemica encontra tudo do que precisa para se orientar no labirinto das objeções contra a Igreja Católica. O Pe. Julio Maria não usa de luvas de pelica. Sua argumentação é forte, radical, decisiva, sem cerimônia, sem dó nem misericórdia. É delicioso ler qualquer uma de suas Polemicas”



SIMÕES, Daniel Soares. O Rebanho de Pedro e os Filhos de Lutero: O Pe. Júlio Maria De Lombaerde e a Polêmica Antiprotestante no Brasil (1928-1944). Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba – UFPB. 2008.

A grafia das palavras foi atualizada segundo a norma atual.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Biografia do Padre Júlio Maria de Lombaerde

3 – Missionário no Brasil

Pe. Júlio Maria estava no auge de seu trabalho de missionário paroquial na França, Bélgica e Holanda, com grandes planos que incluíam seminários para os jovens que procuravam a Congregação da Sagrada Família, muitos roteiros missionários, e a redação e publicação de uma série de livros sobre Nossa Senhora e a maneira de servi-la, quando, sem ele esperar, sem explicações, aparentemente sem razão plausível, ele teve de interromper tudo o que estava fazendo e vir para o Brasil. Seus Superiores religiosos, por motivos que ele nunca soube exatamente quais eram, resolveram enviá-lo para as missões amazônicas. Não seria ele, tão convicto de seu voto de obediência e do mistério da Divina Providência, que iria questionar a ordem recebida ou pedir satisfações. Encerrou o estava fazendo, desfez os compromissos que ainda viriam, arrumou as malas e zarpou para o desconhecido. Não conhecia a língua portuguesa, não sabia praticamente nada sobre o país, não havia sido preparado para a nova missão... mas entregou-se às mãos de Deus e Nossa Senhora. E veio. Despediu-se dos dirigidos e alunos, foi dar um abraço aos familiares, especialmente a Aquiles, o irmão mais novo e embarcou no dia 25/09/1912, junto com os padres Scholl e Burgard e mais dois irmãos religiosos: Micael e Ambrósio.

Foi quase um mês de viagem. Chegaram a Recife dia 15/10/1912. Grande era a apreensão dos cinco "heróis", sem conhecer a língua, sem saber nada dos costumes da terra, missionários despreparados. Pe. Júlio Maria "aprendeu" a língua "só Deus sabe como". (É bom dizer que, depois, reaprendeu-a, e falava e escrevia bastante bem e com absoluta fluência o português, apesar do sotaque às vezes pesado, que não impedia, entretanto, que o povo o entendesse perfeitamente bem.) Antes de partir para Belém, de onde iria para Macapá, seu destino final, passou dois meses e meio em S. Gonçalo, a 15 km de Natal, RN, onde trabalhavam os Padres Paulsen e Belchold, velhos companheiros e irmãos de hábito - quer dizer, de Congregação. Aí aprendeu mais ou menos a falar português e alguma coisa dos costumes da missão. Foi, então, para Belém, PA. (Naquele tempo, Macapá pertencia ao Pará.) Em Belém, ficou hospedado algum tempo com os padres barnabitas (franceses), com quem pôde refazer e completar o curso de português e aprender algo mais sobre o Brasil e seu povo.

Em 27/02/1913, desembarcou afinal em Macapá, onde foi recebido amigavelmente por dois outros irmãos de hábito e bons companheiros, o Pe. José Lauth e o Pe. Hermano. Começou logo seu trabalho. Ele viera para "salvar almas", e era isso mesmo que ele queria fazer. Mas o povo era muito pobre e necessitado de quase tudo em termos de saúde, de instrução, de alimentação. Muita malária, úlceras, gripes, pneumonia... Como o Pe. Júlio tinha certo conhecimento de medicina, começou, juntamente com o trabalho religioso de evangelização, a cuidar também dos corpos, das necessidades materiais das pessoas. Conseguiu tanto que se tornou um ídolo do povo. O Prefeito e outras pessoas importantes da cidadezinha solicitaram ao governo e obtiveram um decreto que outorgava ao Pe. Júlio Maria a administração da farmácia e do posto médico de Macapá. Isto abriu para o missionário as portas das casas de família. E sua presença era tão boa que se tornou amigo e conquistou a simpatia de todos. Ia freqüentemente às escolas e era "adorado" pelas crianças. Em 02/05/1913, foi nomeado, por decreto do Governo do Pará, diretor das Escolas Reunidas, "com todos os direitos e privilégios", inclusive os vencimentos do cargo. Desse modo, ele era o médico, o farmacêutico, o mestre-escola, o amigo e pai dos pobres, o encanto das criancinhas.

Paralelamente a tudo isso, ele rezava muito, administrava os sacramentos, celebrava a missa todos os dias e catequizava. Dava catecismo, de manhã, para as crianças; de tarde, para os jovens e, de noite, para os adultos. Em seu trabalho missionário, visitou vários lugares da Amazônia, foi até ao Tumuc-Humac. Ficava embevecido com a majestade da floresta, mas passou muitas dificuldades. O grande companheiro e amigo era o caboclo Canoza. Rústico, mas fiel, corajoso e conhecedor dos segredos da floresta, era o guia nas caminhadas, defendia os missionários. Salvou o Pe. Júlio num desastre de canoa e, outra vez, matou uma onça brava que investiu contra os padres. À noite, dormia ao pé das redes dos missionários, pronto para levantar-se ao primeiro chamado. Era o sacristão, o guarda vigilante, o amigo de todas as horas.


(Este texto é uma resenha e um rearranjo do livro “Pe. Júlio Maria, sua vida e sua missão”, de Dom Antônio Afonso de Miranda, sdn, o primeiro religioso da Congregação do Pe. Júlio Maria escolhido para ser bispo, hoje Bispo Emérito de Taubaté, SP, e que foi o primeiro biógrafo do seu Fundador.)

[Continua...]

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Carta de Dom Carloto ao Padre Júlio por ocasião da primeira edição de O Lutador



Na primeira edição do semanário católico O Lutador, editado pelo Pe. Júlio e pelos missionários sacramentinos, foi publicada a carta de aprovação e bênção do Bispo à nova empresa:




Manhuaçu, 10 de novembro de 1928

Revmo. Padre Júlio Maria

De coração abençoamos o jornal “O Lutador” que acaba de fundar, pedindo a Deus que ele seja sempre entre suas ....mãos de Apóstolo um paladino intemerato na defesa dos interesses de Jesus Cristo e de sua Igreja.

O novo Lutador será um instrumento eficaz nas mãos deste outro Lutador, o o é V. Revma., para combater o erro, espalhar a luz da verdade e fazer o bem à nossa população, de tanta boa vontade e de tão nobres sentimentos.

Meus parabéns a V. Revma., à católica população de Manhumirim e de um modo especial à bela e simpática Liga Católica dos homens.

Abençoamos o Lutador e estendemos essa bênção à primeira Liga dos Homens, fundada em nossa diocese de Caratinga, com a firme esperança de que o brioso exemplo dos homens de Manhumirim há de excitar muitos imitadores em todas as cidades e igrejas desta nossa Diocese.

Sou de V. Revma. o humilde servo em N. S. Jesus Cristo.

+ Carloto

Bispo de Caratingaque acaba de fundar, pedindo a Deus que ele seja sempre entre suas m


Fonte: Semanário Católico “O Lutador”, n° 1. 25 de novembro de 1928.