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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sustentador e Conservador da Igreja



A centralidade de Cristo em Mt 24 a partir do Pe. Júlio Maria De Lombaerde

Por Matheus R. Garbazza

O evangelista São Mateus oferece à comunidade cristã uma preciosa preparação à narração dos eventos máximos da Fé cristã que são a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor. Trata-se do chamado “sermão escatológico”, no qual o Divino Mestre tece algumas considerações a respeito do fim dos tempos e do Reino dos Céus. Esta preparação, constituída pelos capítulos 24 e 25 de seu Evangelho, termina com o convite à vigilância constante, à modo das cinco virgens prudentes que levaram óleo de sobra e dos servos que souberam empregar os talentos concedidos pelo seu senhor. Isso porque não nos é possível saber o dia ou a hora da vida de Cristo e da instauração definitiva de seu Reino.
Concentremo-nos no capítulo 24, a abertura da fala escatológica de Cristo. Logo de início, temos Jesus e seus discípulos caminhando para fora do Templo em Jerusalém. Os discípulos, marcados pela imponência da construção simbolicamente mais importante do povo judeu, aproximam-se para mostrá-lo a Jesus. O Mestre reage com uma afirmação forte e assustadora: “Não estais vendo tudo isso? Em verdade vos digo: não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído” (v. 2). Certamente foi um choque para os ouvintes, que logo após questionam: “dize-nos: quando será isso?” (v. 3). É a partir desse ponto que Jesus passa a falar sobre os sinais de sua vinda, o que acontecerá antes e como poderá ser sentida a sua aproximação.
O sinal mais marcante enumerado pelo evangelista, a partir da profecia de Daniel, é a “abominação desoladora instalada no lugar santo” que é o Templo (v. 15). Depois de passar pelos outros diversos sinais, termina o capítulo com o convite à fidelidade e à obediência (isto é, à escuta profunda da Palavra, colocando-a em prática). Para tanto, é utilizada a figura dos dois servos (v. 45-51): o fiel, que guardou bem a casa de seu senhor e assim recebeu a administração de seus bens, e o infiel, que foi injusto, comeu e bebeu desregradamente e espancou seus companheiros. Se o primeiro conquista a bem-aventurança, para o segundo resta o “choro e ranger de dentes”.
Deixando um pouco a exegese literal do texto a respeito dos últimos dias e da vinda de Cristo, podemos nos aproximar de uma realidade de suma importância para nós cristãos que, caminhando entre as vicissitudes da existência, encontramos Nele a força e a esperança. A partir da consideração a respeito do Templo perecível em São Mateus, podemos voltar nossos olhares para o templo imperecível da Nova e Eterna Aliança: a Igreja – Corpo Místico de Cristo.
É esse o esforço empreendido pelo Pe. Júlio Maria De Lombaerde em seu texto “Os Templos Eucarísticos”, parte de seu livro “Comentário Eucarístico do Evangelho Dominical”. O ponto de partida é exatamente o templo e o anúncio de que se veria nele instalada a abominação desoladora. Dessa ótica, explanando o objeto de estudo do livro – a Eucaristia – pode-se perceber um dado importantíssimo no pensamento geral da Igreja e do Pe. Júlio Maria, seu filho fiel: a centralidade de Cristo.

terça-feira, 15 de março de 2011

Mensagem de Bento XVI sobre a Campanha da Fraternidade 2011


Ao Venerado Irmão
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana (MG) e Presidente da CNBB

É com viva satisfação que venho unir-me, uma vez mais, a toda Igreja no Brasil que se propõe percorrer o itinerário penitencial da quaresma, em preparação para a Páscoa do Senhor Jesus, no qual se insere a Campanha da Fraternidade cujo tema neste ano é: "Fraternidade e vida no Planeta", pedindo a mudança de mentalidade e atitudes para a salvaguarda da criação.

Pensando no lema da referida Campanha, "a criação geme em dores de parto", que faz eco às palavras de São Paulo na sua Carta aos Romanos (8,22), podemos incluir entre os motivos de tais gemidos o dano provocado na criação pelo egoísmo humano. Contudo, é igualmente verdadeiro que a "criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus" (Rm 8,19). Assim como o pecado destrói a criação, esta é também restaurada quando se fazem presentes "os filhos de Deus", cuidando do mundo para que Deus seja tudo em todos (cf. 1 Co 15, 28).

O primeiro passo para uma reta relação com o mundo que nos circunda é justamente o reconhecimento, da parte do homem, da sua condição de criatura: o homem não é Deus, mas a Sua imagem; por isso, ele deve procurar tornar-se mais sensível à presença de Deus naquilo que está ao seu redor: em todas as criaturas e, especialmente, na pessoa humana há uma certa epifania de Deus. «Quem sabe reconhecer no cosmos os reflexos do rosto invisível do Criador, é levado a ter maior amor pelas criaturas» (Bento XVI, Homilia na Solenidade da Santíssima Mãe de Deus, 1º-01-2010).

O homem só será capaz de respeitar as criaturas na medida em que tiver no seu espírito um sentido pleno da vida; caso contrário, será levado a desprezar-se a si mesmo e àquilo que o circunda, a não ter respeito pelo ambiente em que vive, pela criação. Por isso, a primeira ecologia a ser defendida é a "ecologia humana" (cf. Bento XVI, Encíclica Caritas in veritate, 51). Ou seja, sem uma clara defesa da vida humana, desde sua concepção até a morte natural; sem uma defesa da família baseada no matrimônio entre um homem e uma mulher; sem uma verdadeira defesa daqueles que são excluídos e marginalizados pela sociedade, sem esquecer, neste contexto, daqueles que perderam tudo, vítimas de desastres naturais, nunca se poderá falar de uma autêntica defesa do meio-ambiente.

Recordando que o dever de cuidar do meio-ambiente é um imperativo que nasce da consciência de que Deus confia a Sua criação ao homem não para que este exerça sobre ela um domínio arbitrário, mas que a conserve e cuide como um filho cuida da herança de seu pai, e uma grande herança Deus confiou aos brasileiros, de bom grado envio-lhes uma propiciadora Bênção Apostólica.

Vaticano, 16 de fevereiro de 2011


quarta-feira, 9 de março de 2011

Mensagem de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, para a Quaresma de 2011

Hoje, quarta-feira de cinzas, publicamos a mensagem do Papa para a Quaresma. Fazemos votos que esse período de conversão possa ser para toda a Igreja um verdadeiro Kairós, tempo da graça de Deus. Pelo Jejum, a Oração e a Esmola, que possamos praticar melhor a Palavra que nos foi deixada por Jesus, o Verbo feito carne.

***


«Sepultados com Ele no baptismo, foi também com Ele que ressuscitastes» (cf. Cl 2, 12)

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de Quaresma).

1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Baptismo, quando, «tendo-nos tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo» iniciou para nós «a aventura jubilosa e exaltante do discípulo» (Homilia na Festa do Baptismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus realizada neste lavacro. O facto que na maioria dos casos o Baptismo se recebe quando somos crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém merece a vida eterna com as próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria existência «os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao homem.

O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu possa «conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos, configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos» (Fl 3, 10-11). O Baptismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa toda a existência do baptizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera, iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo.

Um vínculo particular liga o Baptismo com a Quaresma como momento favorável para experimentar a Graça que salva. Os Padres do Concílio Vaticano II convidaram todos os Pastores da Igreja a utilizar «mais abundantemente os elementos baptismais próprios da liturgia quaresmal» (Const. Sacrosanctum Concilium, 109). De facto, desde sempre a Igreja associa a Vigília Pascal à celebração do Baptismo: neste Sacramento realiza-se aquele grande mistério pelo qual o homem morre para o pecado, é tornado partícipe da vida nova em Cristo Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8, 11). Este dom gratuito deve ser reavivado sempre em cada um de nós e a Quaresma oferece-nos um percurso análogo ao catecumenato, que para os cristãos da Igreja antiga, assim como também para os catecúmenos de hoje, é uma escola insubstituível de fé e de vida cristã: deveras eles vivem o Baptismo como um acto decisivo para toda a sua existência.

2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é baptizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a Ele.

O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum, n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união com Ele, uma luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso» (Hb 6, 12), no qual o diabo é activo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos na vitória às seduções do mal.

O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo, que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, «em particular, a um alto monte» (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça de Deus: «Este é o Meu Filho muito amado: n’Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O» (v. 5). É o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito, onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.

O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.

O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz».

Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.

O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas baptismais, reafirmamos que Cristo é o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos «da água e do Espírito Santo», e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à acção da Graça para sermos seus discípulos.

3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do Baptismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um vínculo egoísta com a «terra», que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de Cristo, a «palavra da Cruz» manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).

No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos...». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma...» (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.

Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Baptismo. A oração permite-nos também adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que «as suas palavras não passarão» (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele «que ninguém nos poderá tirar» (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida eterna.

Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, é «fazer-se conformes com a morte de Cristo» (Fl 3, 10), para realizar uma conversão profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo.

Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir o nosso Baptismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas acções. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A autoridade suprema de Pedro

Pe. Júlio Maria De Lombaerde

Pedro é sempre nomeado e é em toda parte o primeiro. Tudo no Evangelho indica a sua primazia, até nas suas próprias fraquezas; é esta a primazia que Deus tem em vista e quer destacar claramente, pois infalibilidade e primazia estão necessariamente unidas inseparavelmente na pessoa do chefe da Igreja, ao ponto que se a infalibilidade doutrinal é a consequencia necessária de sua primazia, esta própria primazia pode ser indicada como o princípio da infalibilidade.

O poder dado a diversas pessoas, inclui necessariamente uma restrição na própria partilha.

O poder dado a um só e acima de todos, sem excessão, comporta a plenitude.

Todos os Apóstolos receberam o mesmo poder, pessoalmente, mas não o receberam no mesmo grau, nem com a mesma extensão. Cabe a Pedro a primazia e o ofício de confirmar os seus irmãos.

Jesus Cristo começa pelo primeiro, e neste primeiro desenvolve tudo, para ensinar-nos que a autoridade em sua Igreja, primeiramente estabelecida na pessoa de um só, não se ramifica senão sob a condição de ficar ligada a este único tronco, e de manter com ele uma completa unidade.

E esta primazia não é simplesmente de precedência e de honra, mas sim de autoridade e jurisdição.

É a Pedro, e só a Pedro que Jesus Cristo promete as chaves do reino do Céu com o poder de atar e desatar, isto é, de governar a Igreja universal.

Deste modo, o Papa não está como os protestantes imaginam, perdido num longínquo inacessível, sentado num trono, onde recebe honras e manifestações de veneração: ele é o pastor, ele é o Pai de cada alma, de cada sacerdote, de cada Bispo.

Entre o Papa e cada cristão, ninguém pode interpor-se como obstáculo.

É certo que devido à extensão imensa da Igreja, o Papa não pode em geral, comunicar-se pessoalmente com cada um, porém ele tem o direito e o poder de fazê-lo.

Sem dúvida ainda, sua palavra passa geralmente pelo canal do Bispo, como a deste último passa pelo canal do sacerdote, para chegar aos fiéis; este canal porém é um meio, e nunca pode tornar-se um obstáculo. O Papa é o pai de todos, é o pastor supremo do rebanho inteiro.



Por ocasião da Festa da Cátedra de São Pedro, 22 de fevereiro.

Pro Catholica Societate

domingo, 15 de novembro de 2009

Boletim "Civitas Dei" do Apostolado Sociedade Católica - Nº 7

O Boletim desse bimestre trabalha uma relação interessante entre os Mártires da Igreja e Cristo-Rei, razão da esperança Cristã e do próprio Martírio. Destaque para o belo artigo "Os Mártires de Nossa Época", escrito pela ótima Mariana Santos, minha amiga. E também para a catequese do Papa Bento XVI sobre São Bernardo.



Do Editorial:


"Continuamos nossa jornada rumo ao fim do ano. Já a próxima edição de nosso boletim abrangerá o início de 2010. Em agosto, no dia em que veneramos de maneira singular o Doutor da Graça, nosso website –www.sociedadecatolica.com.br – fez aniversário, tempo propício à renovação e reflexão acerca dos compromissos que assumimos, dos amigos que fizemos, das sementes que plantamos. Realizamos um Diretório com esse fim. Buscamos traçar algumas diretrizes importantes.

O período de outubro é conhecido pela índole missionária. Comemora-se as duas Teresas, doutoras carmelitas famosas pelo ardor na perene missão confiada por Deus a seus filhos. Também possuímos uma missão que consiste em propagar e defender a Fé de tal modo que a sociedade seja permeada de valores católicos e se torne uma efetiva Comunhão de Santos. Que Santa Teresinha de Lisieux interceda por nós!

Se o calendário civil termina em dezembro, o ano litúrgico dá seu último passo com a solenidade de Cristo, Rei do Universo. Não sem antes voltar sua atenção a todos os santos e aos fiéis defuntos. Que descansem em paz e roguem por nós. Também deteremos nosso olhar sobre Roma e as basílicas-mães no Latrão e na Sé à margem do Tibre. Glória a Ti, Igreja Santa!

Que os muitos veneráveis homens e mulheres de fé, em especial aqueles cuja memória fazemos nesses últimos dias – São Francisco, São Lucas, São Simão, Judas e André apóstolos, o grande Leão, Papa e Alberto, mestre do Angélico – conjuntamente à Serva do Senhor, a qual, concebida imaculada, emergiu das águas para as profundezas do coração do povo brasileiro, sejam solícitos a nossas

súplicas. O Senhor nos preserve da apatia e nos conceda vigor de espírito enquanto militamos nessas terras, vermelhas de sangue, sentinelas dos corpos dos mártires. "


Para fazer o Download do Boletim, basta acessar: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/rmdp/down.php?id=17

domingo, 16 de agosto de 2009

Ângelus com o Papa Bento XVI - Nutrir-se com o pão da Vida Eterna

Palavras ao rezar o Angelus com os peregrinos neste domingo

CASTEL GANDOLFO, domingo, 16 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI rezou o Angelus com os peregrinos ao meio-dia deste domingo, no pátio interno do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo. Estas foram as palavras do Papa na introdução da oração mariana.

* * *

Queridos irmãos e irmãs!

Ontem nós comemoramos a grande festa da Assunção de Maria ao Céu, e hoje lemos no Evangelho estas palavras de Jesus: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu" (Jo 6, 51). Não se pode ficar indiferente a esta correspondência, que gira em torno do símbolo do "céu": Maria foi "assunta" ao local de que seu filho tinha "descido". Evidentemente, esta linguagem, que é bíblica, expressa em termos figurados coisas que não entram completamente no mundo dos nossos conceitos e da nossa imaginação. Mas vamos parar um momento para refletir! Jesus se apresenta como o "pão vivo", ou seja, alimento que contém a própria vida de Deus e é capaz de comunicá-la a quem d’Ele se alimenta, o verdadeiro nutrimento que dá a vida, nutre realmente em profundidade. Jesus diz: "Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo”. Bem, de quem o Filho de Deus tomou esta sua "carne", a sua humanidade concreta e verdadeira? Da Virgem Maria. Deus recebeu d’Ela o corpo humano para entrar na nossa condição mortal. A sua vez, no fim da existência terrena, o corpo da Virgem foi assunto ao céu por Deus e entrou na condição celeste. É uma espécie de intercâmbio, no qual Deus tem sempre a plena iniciativa, mas, como vimos em outras ocasiões, tem também necessidade de Maria, do “sim” da criatura, da sua carne, da sua existência concreta, para preparar a matéria do seu sacrifício: o corpo e o sangue, a ser oferecido na Cruz como instrumento de vida eterna e, no sacramento da Eucaristia, como alimento e bebida espirituais.

Queridos irmãos e irmãs, o que aconteceu a Maria, vale, de outras maneiras, mas realmente, para cada homem e cada mulher, porque a cada um de nós Deus pede acolhê-Lo, colocar à disposição o nosso coração e o nosso corpo, a nossa inteira existência, para que Ele possa habitar no mundo. Convida a unir-nos a Ele no sacramento da Eucaristia, Pão repartido pela vida do mundo, para formar juntos a Igreja, seu corpo histórico. E se dissermos sim, como Maria, na mesma medida desse nosso sim, ocorre também para nós e em nós aquele misterioso intercâmbio: somos admitidos na divindade d’Aquele que assumiu a nossa humanidade. A Eucaristia é o meio, o instrumento desse recíproco transformar-se, que tem sempre Deus como fim e como ator principal: Ele é a Cabeça e nós os membros, Ele é a Videira, nós os ramos. Quem come deste Pão e vive em comunhão com Jesus, deixando-se transformar por Ele e n’Ele, é salvo da morte eterna: certamente morre, como todos, participando também do mistério da Paixão e da Cruz de Cristo, mas não é mais escravo da morte, e ressuscitará no último dia, para desfrutar da festa eterna com Maria e com todos os Santos.

Este mistério, esta festa de Deus começa aqui: é mistério de fé, de esperança e de amor, que se celebra na vida e na liturgia, especialmente eucarística, e se exprime na comunhão fraterna e no serviço ao próximo. Rezemos à Virgem Santa, a fim de que nos ajude a nutrirmos sempre com fé do Pão da vida eterna para experimentar já na terra a alegria do Céu.

[Após o Angelus, o Papa dirigiu-se aos peregrinos em vários idiomas; em português, disse:]

Saúdo os jovens brasileiros da Comunidade Missionária Villareggia e demais peregrinos de língua portuguesa que quiseram participar neste momento diário de louvor e gratidão ao Verbo divino, que Se fez homem no seio da Virgem Maria para ficar connosco todos os dias até ao fim do mundo. Deixai Cristo tomar posse da vossa vida, para serdes cada vez mais vida e presença de Cristo!

[© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]