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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Galeria: Memorial do Pe. Júlio Maria na casa das Irmãs Cordimarianas

Imagens do Memorial em honra do Revmo. Pe. Júlio Maria De Lombaerde, numa das casas das irmãs Cordimarianas. A Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria [FCIM] foi a primeira fundada pelo Pe. Júlio Maria. Atualmente, a Casa Geral das irmãs encontra-se em Caucaia-CE.


Quando nasceu o Memorial Cordimariano?

Na Exumação dos ossos do Pe. Júlio Maria, em 1974, um grupo de Irmãs Cordimarianas participou do ato, em Manhumirim. Tudo foi muito comovente: as três Congregações se reuniram pela primeira vez em torno de um evento de seu Fundador. Era o início uma história...Começou a surgir entre as Cordimarianas, o desejo de ir ao passado transformá-lo em presente, isto é, trazer o Júlio Maria para o hoje da história.

A Renovação Conciliar exige de todas as Congregações uma volta às fontes, uma consciência mais clara e convicta do Carisma Fundacional. Isto impulsiona a Congregação para um estudo mais profundo da pessoa do Fundador: Pe Júlio Maria e de sua espiritualidade.Em 1975, Ano do Vlll Capítulo, Irmã do Divino convoca a Irmã Crismanda para apresentar numa das primeiras sessões do Capítulo o tema: Pe. Júlio Maria De Lombaerde - O Fundador. O Religioso Missionário no Brasil.

O tema é apresentado e a partir dele, em estudos de grupo, Capitulares discutem:

Como resgatar o Pe. Julio Maria entre nós? O que poderemos fazer no ano Centenário 1977-1978 para celebrar o Nascimento do Fundador?

A partir daí, começa um novo tempo Cordimariano O TEMPO JULIMARIANO!!! Tempo de estudos, de pesquisas, de descobrir o Pai, tempo de organizar o "Cantinho do Fundador", tempo de entrevistas com a Madre, publicação de livros, apostilas, etc. Em nível Nacional a CRB convocava as Religiosas para o CETESPE (Centro de Espiritualidade de Atualização da Vida Religiosa). Algumas Irmãs participam de cursos do CETESP, entre elas Irmã Isabel Barreto, que retorna assumindo o desafio de organizar o Memorial Histórico do Fundador num processo de "volta as fontes". No dia 05.07.1978 - Ano Centenário, é inaugurada a Sala Histórica numa celebração que reúne, pela segunda vez, a Família Julimariana. O desejo do Fundador se concretizava:

"Espero, embora separados, formarmos todos uma mesma Família no mesmo Pai e no mesmo espírito".
Pe. Júlio Maria numa carta para a Madre Maria de Jesus.
01.05.1931










Fonte: Site das Irmãs Cordimarianas

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dois anos de "Obras do Pe. Júlio Maria"

Com as graças de Deus e os auspícios de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, completamos dois anos deste Blog, dedicado à memória imperecível do Revmo Pe. Júlio Maria De Lombaerde, que, acreditamos, está junto à Glória de Deus e na companhia dos santos, dos anjos e da mesma Virgem Maria que ele tanto amou e ensinou a amar. 

Sem medo da expressão batida, mas "parece que foi ontem" que planejamos e levamos a cabo esta empresa, para a maior glória de Deus. Tudo começou aí: 

Festa de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.
Bom Despacho, 13 de maio de 2009
Essa foto foi tirada ao final da Missa Solene na Festa de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, celebrada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho pelo então pároco, Pe. Antônio Otaviano da Costa Franco, sdn, e concelebrada pelos vigários Pe. Robson, sdn, Pe. Antônio Carlos, sdn, Pe. Robson, sdn, Pe. Vitório, sdn, e Pe. José Múcio, sdn.

Foi uma festa bastante participada pelos fiéis da paróquia. Ali, percebemos que de fato o povo de Deus precisava conhecer mais esse grande pastor que foi o nosso amado Pe. Júlio Maria, e confiar na sua intercessão junto de Deus.

Durante o meio-tempo entre o dia 13 e o dia 25 de maio daquele ano, corremos atrás de livros, notícias e fotos, conversando bastante com os padres também. E então trouxemos ao ar a primeira postagem, que é a motivação do Blog. Ela pode ser conferida aqui. 

Então, no ano de 2010, é visível uma estacionada nos trabalhos. Fato mais que justificável: estávamos, naquele ano, iniciando nosso processo formativo na Congregação Missionária fundada pelo Pe. Júlio. E foi um ano bastante exigente, o que pode ser comprovado pela nossa total falta de tempo para levar a cabo as postagens, informando somente o que foi mais necessário.

E cá estamos nós agora, iniciando nosso terceiro ano de atividades.

Sabemos que progredimos muito dos inícios até agora, e que temos muito mais para aprender e por em prática. Mas nosso amor à causa do Pe. Júlio Maria permanece, recebendo cada vez mais combustível. Para que possamos progredir cada vez mais, pedimos sempre a ajuda dos leitores: que possam comentar, sugerir, enviar material, divulgar. Enfim, que se tornem verdadeiros colaboradores da Obra do Pe. Júlio Maria De Lombaerde que ainda não terminou: mais que isso, continua viva em nós, seus filhos espirituais.

"Pe. Júlio Maria Lombaerde
É chegado o momento de Glória,
O teu nome, para sempre, 
Há de ser relembrado na história!"


Agradecemos a Deus o bem que pudemos fazer nestes dois anos, e pedimos-lhe, pela intercessão de Nossa Senhora da Eucaristia, que mais bem possa ser feito doravante.

TE DEVM LAVDAMVS!!!

Em Cristo,

Matheus R. Garbazza
Pro Catholica Societate

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Maria Santíssima e o Tabernáculo


Último dia do tríduo preparatório para a festa de Nossa Senhora do santíssimo Sacramento – que é também o dia do missionário sacramentino. Pe. Júlio Maria De Lombaerde fazia questão de solenizar essas comemorações.

Hoje, segundo o número 23 do Diretório da Congregação dos Missionários Sacramentinos, “far-se-á uma penitência, determinada pela comunidade”.

Nesse espírito de preparação, publicamos um texto do Fundador, em que ele aprofunda mais a sua teologia sacramentina. Os negritos são nossos.

*

O Anjo da noite baixou à terra. Devagar, num gesto majestoso, desdobrava por sobre os montes e vales o longo manto escuro, qual um lençol fúnebre. E após ele descia, ainda mais grave e mais majestoso, o anjo do sono. Passava... semeando a mãos cheias este reconfortante da vida. Pouco a pouco fez uma calma completa: as luzes deixaram de cintilar nos salões dos ricos como nas choupanas do pobre. O silêncio era absoluto. Através das vidraças envelhecidas de uma igreja cintilava uma pequena luz, raio quase imperceptível a indicar que alguém vigiava.

Entremos, pois a porta ficou aberta.

Tudo está escuro. Lá em cima, uma pequena lâmpada encarnada projeta uma luz quase misteriosa, iluminando a fronte de uma estátua, colocada perto do Tabernáculo.

No meio do silêncio, uma voz suave e melodiosa, qual um concerto do céu, cristalino, qual voz de criança, fez-se ouvir e murmurou:

- Estou velando!

E tudo recai no silêncio. Mas, decorridos apenas uns instantes, uma outra voz responde em tom de amor.

Ecce ancilla Domini! Eis a serva do Senhor!

É a voz da Santíssima Virgem. Aí está, em cima do seu trono, perto do Tabernáculo, para consolar a solidão de Jesus, como a consolava antes em Belém, em Nazareth, no Egito.

Oh! não Jesus nunca está só. Perto de si tem sua Mãe. No Tabernáculo, como no presépio, sorri-nos dos braços de Maria Santíssima.

A Igreja, que tão eminentemente possui a intuição das cousas divinas, o compreende; e é por isso que, perto do Tabernáculo, coloca uma imagem da Virgem Imaculada.

Muitas vezes a imagem de Maria Santíssima domina o altar e aí, do alto de seu trono, a Mãe vela ainda sobre o filho, assim como do fundo do Tabernáculo, Jesus nos diz ainda:

Ecce Mater tua! Eis aqui a Vossa Mãe!

Suave pensamento aquele: Aproximando-me do Tabernáculo, ali encontro Maria Santíssima; e é ela que me dá Jesus.

Quando bato à porta do Tabernáculo e grito: JESUS! JESUS! é Maria Santíssima que me vem receber, abre a porta e me diz: “O meu Jesus, ei-lo aqui!”

A Santa Igreja aprovou esta profunda e tocante invocação “Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, rogai por nós!” Já aprovara esta outra: “Nossa Senhora do Sagrado Coração, rogai por nós!”

Cotejemos estas invocações: “O Coração de Jesus está no Tabernáculo: é o Coração Eucarístico de Jesus. A Santíssima Virgem é pois também  - Nossa Senhora do Sagrado Coração: rogai por nós!”

É a reunião de tudo o que, na religião, há de mais nobre, mais sublime e mais consolador!

O Coração de Jesus,

A Sagrada Eucaristia,

A Virgem Maria!

Notai como a Virgem Santa se acha unida a tudo o que há de mais adorável na religião! Assim como no “Credo” seu nome está ao lado dos nomes divinos do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A Santa Igreja há de, sem dúvida adotar um dia, esta bela invocação: “Nossa Senhora do Coração Eucarístico de Jesus, rogai por nós!”

Almas amantes da Imaculada, continuemos a nos unir à Maria, a viver perto de Maria, a amar Jesus por Maria. Apertemos cada vez mais, os laços que nos unem a esta Virgem bendita para que ela aperte os laços que nos unem ao Coração Eucarístico do Senhor.

Fortifique-se em nós o seu amor, tornando-nos apóstolos de seu Coração.

Oxalá este amor nos transforme e nos faça mais semelhantes à Hóstia do Tabernáculo!

Ele é branco: sejamos puros;

Ele está escondido: sejamos humildes;

Ele se deixa fazer: sejamos obedientes;

Ele é imolado, sejamos mortificados.

Estas virtudes são a grande preparação dos Corações eucarísticos, amantes e famintos do pão dos anjos. E a Santíssima Virgem no-las ensina tão suavemente pelo exemplo e pelas palavras.

Oh! sim, cada vez que nos aproximamos de Jesus Hóstia, cada vez que a sua divindade e humildade veladas repousam no nosso coração pela Sagrada Comunhão, roguemos a Jesus que nos transforme em Maria, que faça de nós “outra Maria”, para que possa achar em  nosso coração as suas complacências, como as achou no coração de sua divina Mãe.

Oh! Mãe querida, abri-nos o Coração de Jesus.

Conduzi-nos ao Tabernáculo.

Mas sempre ficai perto de nós, como ficais perto de Jesus.

Sede verdadeiramente para nós: Nossa Senhora do Coração Eucarístico de Jesus.



Pe. Júlio Maria De Lombaerde, Voz de Nazareth, nº 96 - dezembro de 1920.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

"Sua memória é, para mim, ainda agora, a de um vivo"

Apresentamos o prólogo do livro "Pe. Júlio Maria, testemunho de uma nova Igreja", de autoria de Dom Antônio Affonso de Miranda, sdn. Dom Miranda foi o primeiro Superior-Geral eleito da Congregação, e o seu primeiro padre eleito ao Episcopado. Conviveu longos anos com o Fundador, sendo testemunha pessoal de várias histórias. Vale a pena conferir.

***

Prólogo

Dom Antonio Affonso de Miranda,  SDN.
Bispo Emérito de Taubaté-SP
Há cem anos, ele nasceu. Terá ele morrido, de fato?

Até hoje, trinta e três anos após o seu sepultamento, não me conformo em pensar que ele tenha morrido. Sua memória é, para mim, ainda agora, a de um vivo.

Talvez porque ele marcou muito profundamente a minha adolescência e minha mocidade, seus traços ficaram indeléveis em meu espírito. Não é um morto. É um vivo que apenas se ausentou.

Tal é para mim o Pe. Júlio Maria De Lombaerde, grande missionário, grande Padre, que viveu em Manhumirim seus últimos anos, na década de quarenta.

Quero fazer um retrospecto de memória, para os que dele ouviram falar e também os que não o conheceram. Gostaria de evocar, bem vivo, em quadros da história, a sua personalidade, como eu a conheci e admirei. Gostaria que os amigos de seus filhos e filhas espirituais, e principalmente estes e estas, pudessem dizer comigo: “Ele está vivo. Ele não morreu. Nos seus cem anos, ele reaparece redivivo e imortal, nesta Igreja para a qual ele trabalhou e sofreu”.

Há muitos anos, após a morte deste grande sacerdote, escrevi-lhe a biografia. Um pálido ensaio daquilo que devia ser, de fato, a sua História.

Mas um livro tão volumoso, como aquele, publicado em 1947, ninguém gosta de ler. Veio-me então a idéia de fazer reviver o meu biografado em quadros rápidos, que o apresentam como ele foi e como o conheci e como se me afigura que continua a ser agora.

Não é, espero, a repetição do que escrevi no passado. Não.

Como se vivo hoje ele estivesse, atuando nesta Igreja que ele tanto amou, eu gostaria de apresentá-lo a meus irmãos e irmãs, para dizer-lhes: “Ei-lo. Ele está presente. Ele caminha diante de nós”.

Na própria dimensão histórica, o homem pode ser considerado sob duplo aspecto: pelo que realizou em seu tempo e pelo que dele se projeta em épocas posteriores.

Quando o Pe. Júlio Maria morreu, falou-se no que ele fez e deixou como marca de seu tempo. Agora, muitos anos passados, percebe-se que a sua obra tinha um sentido mais extenso e duradouro. Ele era portador de um carisma, de um dote, que não era dele, e sum da Igreja a que servia. Este Dom que o Senhor lhe deu não se estreitou no pouco mais de meio século em que ele viveu. Projetou-se para muito além. Ele apenas começou a construir uma Igreja, que naquele tempo não se podia entrever, e que se manifesta hoje, a cada dia, na continuação de sua obra.

É este Pe. Júlio Maria que aparece redivivo na Igreja atual, agora, quando se comemora o seu centenário.

Ele está vivo. É preciso reencontrá-lo. Para caminhar com ele, na esperança, na coragem, na fé, no entusiasmo de fazer a Igreja viver numa fase das mais gloriosas de sua história.

Campanha, festa de S. José, 19 de março de 1978.

+ Antônio Affonso de Miranda, SDN


Fonte: Miranda,sdn, Dom Antônio Affonso de. Pe. Júlio Maria, Testemunho de Uma Nova Igreja. Belo Horizonte: O Lutador, 2ª Edição. Pág. 3-4.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Chegada do Pe. Júlio à Manhumirim, narrada pelo seu antecessor.

Apresentamos os registros históricos da chegada do Pe. Júlio Maria à Manhumirim, para assumir a paróquia e fundar a Congregação, escritos pelo seu antecessor. Trata-se de um pequeno trecho do livro do tombo da Freguesia de Manhumirim, anotados pelo Pe. Frederico de La Barrera, 5º cura de Manhumirim.

“Sou sucedido na freguesia pelo virtuoso e inteligente Pe. Frey Júlio Maria, apóstolo dos índios no norte do Brasil e pertencente à congregação religiosa da Sagrada Família, e fundador aqui em Manhumirim da congregação, exclusivamente brasileira, dedicada a paroquiar, dos Padres de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, passando em minha companhia os quinze dias anteriores a tomada de posse realizada hoje, oito de abril de mil novecentos e vinte e oito.

Durante estes dias, pude verificar que o meu digno sucessor, com melhores predicados de piedade e ciências eclesiásticas do que as minhas qualidades, promoverá o progresso espiritual da minha estimada freguesia, esperando de tão digno sucessor peça a Deus por mim e perdoe as minhas faltas.

Ao Sr. Bispo diocesano, D. Carloto Fernandes da Silva Távora, fico gratíssimo pelo favor de pedir-me, com sacrifício, deixar a paróquia, para estabelecer aqui esta Congregação.

Não com sacrifício, senão com entusiasmo, deixei a freguesia para o bem espiritual de Manhumirim e da diocese de Caratinga.

Manhumirim, oito de abril de 1928.

Pe. Dr. Frederico de La Barrera, vigário”

 

“O Pe. La Barrera era muito distinto no trato com as pessoas. Era um cavalheiro. É o testemunho dos que o conheceram e com ele trataram.” “Pelas pesquisas que fizemos, historiamos que essa igreja-monumento [a Matriz de Manhumirim] foi iniciada, praticamente, em dezembro de 24; que o Pe. La Barrera foi o promotor da construção e, no seu paroquiato, é que se demoliu a antiga.” (Pe. Demerval A. Botelho, sdn)

 

Pe. Frederico de La Barrera, antecessor do PJM em Mrim Pe. Frederico de La Barrera, antecessor do Padre Júlio Maria na cura das almas de Manhumirim

 

Fonte: BOTELHO, sdn; Pe. Demerval Alves. História de Manhumirim, Município e Paróquia. II Volume (1924-1947). Belo Horizonte, O Lutador, 1989. Págs. 163-166.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Nomeado o Exmo. Sr. Bispo de Caratinga

O papa Bento XVI nomeou nesta quarta-feira, 16, três novos bispos para o Brasil. Aceitando a renúncia de dom Hélio Gonçalves Heleno, bispo da diocese de Caratinga (MG), em conformidade com o cânon 401§ 1 do Código de Direito Canônico (motivo de idade), Bento XVI nomeou para sucedê-lo dom Emanuel Messias, bispo de Guanhães (MG).

Dom Emanuel Messias

Dom Emanuel Messias
Natural de Salinas (MG), dom Emanuel Messias foi ordenado bispo em 4 de abril de 1998, em Governador Valadares (MG), onde trabalhou até ser nomeado bispo de Guanhães. Estudou Filosofia em Mariana (MG) e Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, Itália. Além disso, é especialista nas Sagradas Escrituras, pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.

Como bispo, é responsável pela Dimensão Bíblico-catequética do Regional Leste 2 da CNBB (Espírito Santo e Minas Gerais.
Fonte: CNBB
Qual a importância dessa nomeação? Como Bispo de Caratinga, Dom Emanuel será o Ordinário das duas Congregações Sacramentinas - a dos missionários e a das irmãs. Será responsável, portanto, por zelar pelo andamento das Congregações, de autorizar mudanças nas Constituições (e já as pedidas pelo XIV Capítulo Geral, ocorrido em 2010), etc.

Mais do que isso: Dom Emanuel será responsável pela fase diocesana do processo de beatificação do Pe. Júlio Maria De Lombaerde, uma vez que a morte do Fundador aconteceu no território de Caratinga.

Desejamos a Dom Hélio (que tivemos a honra de conhecer em nosso ano como seu súdito em Manhumirim) um bom e merecido descanso, depois desses longos anos à frente do povo de Deus em Caratinga.

E a Dom Emanuel Messias, parabenizamos pela sua indicação à Cátedra de Caratinga. Que seja um pastor zeloso por aquelas almas. E que possa, o quanto antes, instaurar o tão desejado processo de beatificação, que já é querido pelas Congregações Julimarianas e pelo povo de Deus desde a morte do santo Fundador.

Dom Emanuel excercendo o ministério Episcopal

Pro Catholica Societate

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Brasões das Congregações Fundadas pelo Pe. Júlio Maria [I] - Cordimarianas




Pela determinação, fé e coragem, Pe. Júlio Maria, na fidelidade aos apelos que ressoavam em seu coração generoso, funda, em 21 de novembro de 1916, nos recônditos da Amazônia, em Macapá, em meio à indústria da miséria e da exclusão, a Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria – As “Cordimarianas”.

Ela nascia “pequenina, na humildade, na pobreza, sem intervenção nem de ricos, nem de poderosos.”

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sonetos Eucarísticos do Fr. Solitário - Introdução

Frei Solitário foi religioso da Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora. Seus escritos eram muito apreciados pelo Pe. Júlio Maria. “Grande devoto de Nossa Senhora e de Santa Terezinha, Frei Solitário era de uma fecundidade poética incrível. Seus trabalhos literários eram datilografados na pequena máquina Hermes com carbono azul. Profundo conhecedor do português, foi designado para lecionar essa matéria na Escola Normal Santa Terezinha em Manhumirim. […] Inesquecível foi o livro ‘Sonetos Eucarísticos’, publicada em ‘O Lutador’, em princípios de 1937, com ardoroso prefácio do Pe. Júlio”. [Dr. Ivan F. Cavalieri]
São esses belos poemas que a partir de agora transcreveremos no “Obras do Pe. Júlio”. Por hora, iniciamos com o referido prefácio do Pe. Júlio Maria:

“Apresentação
O Frei Solitário é uma almas de poeta e um coração religioso.
O pseudônimo que encobre a sua personalidade, lhe vai admiravelmente bem. É um jovem religioso sacramentino, silencioso, calmo, meditativo, humilde, que só tem uma ambição neste mundo: Amara a Deus e fazer amá-lo.
É um poeta de largos recursos, de inspirações ardentes e de vôos azulados, que pode figurar ao lado dos nossos melhores poetas pátrios.
Escreveu várias obras que me entregou, como um filho entrega a seu pai, o produto de seu trabalho.
Com toda simplicidade, o autor pediu-me que adotasse este trabalho, como filho de seu coração e da sua alma e o fizesse batizar no prelo, servindo-lhe de padrinho.
Lendo estas poesias, achei que poderiam interessar e edificar, por isto resolvi edita-lãs em brochuras.
Aqui vai, pois, o primeiro afilhadinho. Que apresento ao público, todo sorridente ainda com a inocência de seu batismo, e estendendo os bracinhos para todos os que queiram acolhe-lo.
A todos ele murmurará uma palavra poética, santa e confortadora.
P. Júlio-Maria”

[UPDADE] Segue a lista com os sonetos que já foram publicados aqui no blog:

Brado Heróico
O Divino Solitário
O ostensório de Jesus
Coração Eucarístico de Jesus

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nossa Senhora de Lourdes e a devoção mariana do PJM

Hoje, dia onze de fevereiro, a Igreja celebra a memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes. Um sítio especial sobre as aparições da Virgem Santíssima naquela cidade pode ser conferido aqui. 

"O Padre Júlio Maria, que era da progênie feliz dos santos, experimentou os efeitos salutares da devoção a Maria.
 Esta devoção nasceu com ele no berço, acariciou-lhe os olhinhos puros de criança nalguma estatueta ou quadro da Virgem, sorriu-lhe animadora no santuário de Nossa Senhora da África, e foi a chama ardente da pira de todos os holocaustos da Vida Religiosa, pobre, humilde, abnegada, no Seminário de Grave.
Deus sabia a que o destinava. No longo itinerário por que o conduzia marcava-lhe a alma com o caráter dos grandes destinos. Não era uma caminhada em vão. Era a viagem formadora dos grandes espíritos."
MIRANDA,sdn, Pe. Antônio Affonso de. Pe. Júlio Maria, sua vida e sua missão - Adap. Pe. J. Herval, sdn. Belo Horizonte: O Lutador, 1991, pag 52.

Tendo sido ordenado sacerdote na França, e lá desenvolvido o início de seu ministério sacerdotal, é mais que natural que o Pe. Júlio Maria tenha adquirido uma devoção toda especial à Virgem de Lourdes. Escreveu o santo fundador: 

"Desde os primeiros anos do meu sacerdócio, não me satisfiz com ser devoto de Maria Santíssima. Eu quis ser dela um amante apaixonado! Quis escrever sobre ela o que de melhor e mais elevado se pudesse escrever! Quis, enfim, torná-la amada pelos homens como nunca o fora dantes. Foi meu ideal, minha paixão durante as missões na França."
MIRANDA,sdn, Pe. Antônio Affonso de. Pe. Júlio Maria, sua vida e sua missão.Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1957, pag. 163.

É sabido também que Pe. Júlio Maria tinha sempre, no meio de sua mesa de estudos, uma imagem da Virgem Maria: 

"Neste momento, não sei bem porque, encontro-me assentado à minha mesa de trabalho, mesa de três pés, com um deles ameaçando cair e com o tampo ainda sem polimento por descuido do carpinteiro. É nessa poética escrivaninha, com uma estatueta da Virgem Maria ao centro, que venho, às vezes, chorar, rir ou sonhar. Nesta noite, faço um pouco de tudo isso."

De Lombaerde, Pe. Júlio Maria. Romance de um missionário no Amazonhas - Trad. Ivan F. Cavalieri. Belo Horizonte: O Lutador, 1991, pág. 23.

Contam os mais velhos da Congregação que essa estatueta, que o acompanhava desde a Europa, retratava a Virgem de Lourdes. A mesma que hoje está na Casa Geral da Congregação, o Seminário Apostólico Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. A imagem encontra-se no quarto do Fundador, protegida por uma caixa de vidro, o que torna a foto pouco nítida, mas extremamente significativa:

A imagem de Nossa Senhora de Lourdes que pertenceu ao Pe. Júlio Maria.


"Toda a sua história ali se resume nesta única expressão, roubada às suas próprias palavras: Ele foi um apaixonado da Virgem!"
- Dom Miranda, sdn

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vovozinho

Dr. Ivan Fornazier Cavalieri
11-Pe. Júlio Maria Padre Júlio Maria, em vida, foi conhecido por diversos nomes: Padre Mestre, o Barbudo, o Martelo da Heresia no Brasil. Nenhum deles, porém, lhe agradava tanto quanto o de vovozinho, talvez por se ter devotado, de corpo e alma, ao trabalho com a criançada, sabendo encontrar nele o meio mais eficiente de chegar ao coração dos fiéis. E, de fato, foi poderoso recurso no apostolado paroquial, principalmente, em Manhumirim.
Por mais de uma vez, o próprio Fundador nos contou a verdadeira origem desse afetuoso nome. Ele, ainda estava em Macapá. A partir de 1916, as Filhas do Coração Imaculado de Maria dirigiam, na pequena e pobre cidade, o orfanato das meninas. Como o vigário visitasse frequentemente aquela casa de caridade, suas religiosas chamavam-no de “Meu Pai”. Curiosas e observadoras as caboclinhas concluíram: se as Irmãs que são nossas “mães” o chamam de nosso “Pai”, bem que nós poderemos chamá-lo de nosso “Vovozinho”. Dedução singela e acertada. Daquele momento em diante, trataram-no por esse cognome.
Nas residências do Norte e do Sudeste, em toda parte, as religiosas cordimarianas e sacramentinas chamavam-no de “Pai” e as alunas e demais crianças se referiam a ele como “Vovozinho”.
Abordamos o tema sob dois prismas diferentes:
Catecismo
Todas as quintas-feiras e domingos, às 15 horas, o antigo e pequeno sino da Matriz de Manhumirim anunciava autentica festa. Era a hora do catecismo da criançada.
Nesse momento, a igreja regurgitava de meninos e meninas de todas as camadas sociais, sem distinção alguma.
O ensino do ABC da doutrina católica estava a cargo de catequistas, as Irmãs Sacramentinas e alguns frades, todos dirigidos por América Vidal Soares, paroquiana inteiramente dedicada ao serviço de Deus, e Presidente das Filhas de Maria.
Uma hora depois, pela porta lateral, no altar do Sagrado Coração, Padre Júlio entrava na Matriz. Alegre, postava-se à frente do altar-mor. Em voz alta, rezava com a meninada três Ave-Marias e depois, cantava com emoção:
“Ó Maria concebida
Sem pecado original
Quero amar-vos toda a vida
Com ternura filial
[Coro]
Vosso olhar a nós volvei
Vossos filhos protegei
Ó Maria! Ó Maria!
Vossos filhos protegei (bis)”.
As vozes da criançada misturavam-se à do infatigável missionário e perdiam-se no ar. Fato comum nas celebrações religiosas na paróquia. Os meninos ou os homens ficavam nos bancos do lado esquerdo da igreja. As meninas e as mulheres lotavam o lado direito. Isso acontecia com os seminaristas, as normalistas, as Irmãs, as irmandades e todo o povo. Sem dúvida, velho costume europeu, ainda adotado pelo Padre Júlio em Manhumirim.
Terminado o catecismo, com que amabilidade o vovozinho era cercado pelas crianças, no adro da Matriz. Tocavam-lhe a batina, beijavam-lhe as mãos, abraçavam-no afetuosamente.
Naquela hora, repetia-se a passagem bíblica de Jesus entre as criancinhas.
Uma lição de vida e de amor!
Cruzada Eucarística
Das associações religiosas, a “Cruzadinha Eucarísticas” era a mais terna e graciosa. Uniformizada de branco com fita amarela atravessada ao peito, a garotada, uma vez por mês, assistia à Missa, cantava e comungava. Ideal supremo de todos os meninos(as) era a pureza e a bondade.
Desde sua chegada à cidade, Padre Júlio Maria se devotou a esse apostolado. Os relatórios de 1928 em diante afirmam explicitamente que o movimento juvenil era consolador. Em o nº 102 de “O Lutador”, de janeiro de 1931, lia-se o seguinte: “Tendo apenas uma população de 5.000 almas, a cidade possui na ‘Cruzada Eucarística’ mais de 200 crianças”.
Há uma foto de maio de 1929, tirada à porta da igreja. Pe. Júlio, ainda de batina preta, está no meio de 106 neo-comungantes mirins vestidos de branco.
Ele costumava afirmar:
- “A cruzada é a metade de minha alma. O que ninguém alcança, a cruzada me obriga a fazer quase chorando...”.
Bem vivo em nossa memória um fato relacionado à “Cruzada Eucarística” de Manhumirim.
Depois de cruel enfermidade, veio a falecer em 29 de março de 1941, o robusto menino Carlos Luís – Lulú – filho do farmacêutico Álvaro Vidal Soares e dona Marinalva Soares Vidal.
Família tradicionalmente católica granjeou o maior apreço moral de toda a cidade que acompanhou de perto o desenrolar da moléstia e conduziu ao túmulo o cruzadinho de sete anos.
O enterro foi uma verdadeira procissão de fé religiosa, com cânticos e flores. Ninguém vestiu creme, a Cruzadinha e as Filhas de Maria, todas de branco, acompanharam o corpo do anjinho até a derradeira morada. Rezou-se e cantou-se em clima de ardor celestial!
Pelas ruas da cidade, conduziu-se uma bandeira de religiosidade e de glória!
Lulú aprendera com o Vovozinho que a estrada mais rápida para o céu é fazer a vontade de Deus, mesmo entre o padecimento e a dor.
O seu exemplo foi mimosa flor na Cruzada Eucarística de Manhumirim.
***
A paróquia do Bom Jesus do antigo Pirapetinga ficou sob os cuidados do missionário belga, de formação cultural francesa, por 16 anos contínuos (1928-1944).
Com entusiasmo e ardor, deixou várias associações religiosas em franco progresso. Por que não lembrar aqui tantos jovens marianos, rezando, comungando e cantando? E as dezenas de senhores vicentinos todos voltados para a caridade fraterna? As filhas de Maria formavam uma falange exemplar. As damas do Coração de Jesus completavam o quadro de fiéis em torno do enérgico, porém edificante pároco.
Na diocese de Caratinga, Manhumirim, inegavelmente, era um centro destacado pelo sou profundo amor à Eucaristia e à Nossa Senhora.
* O autor, advogado falecido, residia em Juiz de Fora-MG. Foi seminarista da Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, tendo convivido pessoalmente com o Fundador. Durante toda a vida, contribuiu muito para a divulgar o Pe. Júlio Maria.

NOTA: Temos informações de que o nome da esposa do Sr. Álvaro, supracitado, é na verdade MIRALDA MACHADO VIDAL.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Vida e Obra de Pe. Júlio apresentadas pelo Superior Geral SDN

Hoje, dia 8 de janeiro de 2011, é o 133º aniversário de batismo do Pe. Júlio Maria. A história do seu batismo já foi narrada aqui. Para comemorar esta data, que é significativa para a Igreja e para a Congregação, exibimos uma preciosidade: a vida e a obra do santo Fundador apresentadas pelo atual Superior Geral da Congregação.

Trata-se de uma reportagem exibida pela TV Catuaí, de Manhuaçu-MG. A repórter, Solange Malosto, foi a Manhumirim (sede da Congregação) conferir de perto a obra deixada pelo Pe. Júlio, e aproveitou para entrevistar ninguém menos que o Revmo. Pe. Geraldo M. L. Mayrink, sdn, Superior Geral dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora. Tudo foi gravado logo nos primeiros dias do mandato dele como superior, ou seja, no princípio de 2010  - e diretamente do Seminário Apostólico Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

A primeira parte mostra precisamente a parte mais importante daquela Casa: a capela, arquitetada pelo próprio Fundador. Lá se encontra a pintura com a “Visão Sacramentina”, que retrata um sonho do Pe. Júlio para as suas Congregações.

Depois, o padre superior apresenta a Sala Histórica Padre Júlio Maria, onde se encontram numerosos pertences e a história do grande missionário, retratada principalmente pelo grande painel com o mapa dos lugares missionados por ele. Ali se narra também os acontecimentos de sua morte, a 24 de dezembro de 1944. Logo em seguida, passam para o antigo quarto do Pe. Júlio, que contém seus pertences mais pessoais e sua biblioteca particular, que se encontra preservada. Alem de suas relíquias de primeira e segunda classe (ex ossibus, ex tela imbuta sanguine, ex habitu, etc).

Esperamos que nossos leitores possam apreciar essa apresentação bastante completa para o curto tempo de vídeo.

 

 Obervação: todos os créditos encontram-se no vídeo. Agradecimentos à TV Catuaí.

 

Em Cristo,

Pro Catholica Societate

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Carta ao Pe. Henrique, escrita de Bom Despacho-MG

Introdução: Cópia fiel da carta original que foi entregue pelo Pe. Henrique, sdn, ao Pe. Jayme L. Cançado, sdn. Os destinatários são o Pe. Henrique (ordenado em 1936 e, à época, substituto do Pe. Júlio na cura das almas da Paróquia de Manhumirim) e o Pe. José Batista (ordenado em 1938 e responsável pelos trabalhos da Editora O Lutador). A carta foi escrita pelo próprio Pe. Júlio Maria em Bom Despacho, onde esteve durante aproximadamente 20 dias, pregando retiros e visitando as residências das Congregações. Em itálico, algumas observações para compreensão.

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Bom Despacho, 15 fev 40

Meus queridos Pe. Henrique e José,

Um cordial abraço!

Devem quase estranhar o meu silêncio, não é? A razão é simples: não me sobra nem um instante.

Hoje acabei o 3º retiro, sendo cada um de 4 dias: Vicentinos, Senhoras [Associação das Mães Cristãs], Filhas de Maria e hoje começo o dos militares (soldados e oficiais). Vou pregar no salão do quartel.

De manhã até à noite, fico no confessionário no intervalo das instruções . Assim mesmo serve-me de férias, estou com a cabeça mais descansada, pois se não há ocupação não há preocupação.

Bom Despacho é esplêndido, povo católico, os padres muito queridos, a Eucaristia formando a base da devoção popular.

Amanhã devem chegar as irmãs.

Vou levá-las a São Gotardo, voltando por Dores, onde ficarei poucos dias. Aqui recolhi já algumas vocações para as irmãs, vou ver em Luz e Dores.

O Pe. Paulo é trabalhador admirável e incansável. O Pe. Thiago é muito benquisto pelo povo. Receberam-me como se fosse o Bispo. Todas as autoridades em pé, o batalhão com seu comandante, etc. - Não posso ainda marcar o dia da saída, mas avisarei a tempo. Preparem selas para fratres João e Dohr que voltam também para continuar os estudos.

Espero que os propagandistas tenham mandado dinheiro de modo a poder fazer os pagamentos correntes.

Creio que será bom fazer parar os pedreiros, desde que o prédio está coberto, conservando só os necessários e os serventes que Ariovaldo indicará.

Os carpinteiros podem fazer as duas escadas, de baixo até o primeiro andar - e do 1º andar até ao dormitório.

Devem colocar as esquadrilhas de portas e janelas e podem já rebocar o dormitório em cima.

Havendo dinheiro pode dar uns contos de reis a Nicolau Bracks.

Espero que os meninos [Apostólicos, os estudantes menores antes do Noviciado]vão todos bem ... Que os meus noviços rezem e se santifiquem... E que os teólogos estudem muito.

Iran(?) estava ainda aqui, mas já o mandei embora. é um louco. Não mande a máquina dele que ali está.

Penso que O Lutador vá bem, não é. O nosso Zeferino [Pe. José Batista, o destinatário] dará conta. Nem o tempo de lê-lo tenho.

Terminado o retiro dos soldados vou organizar as casas de São Gotardo, e ver se tenho tempo de voltar por Boa Esperança.

Um afetuoso abraço aos caríssimos padres Henrique e José e uma grande bênção para todos de casa.

Pe. Júlio Maria

PM - SDN

 

Carta Pe JulioDigitalização da última página da carta transcrita, com a assinatura do Fundador.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Biografia do Padre Júlio Maria de Lombaerde

5 - Chegada e primeiras atividades em Manhumirim

Em 29/02/1928, Pe. Júlio Maria embarca, afinal, para o Rio de Janeiro, onde se encontrou com Dom Carloto que o recebeu com o maior respeito e carinho e o levou para Caratinga. Pe. Júlio recusou a oferta de paróquias em cidades mais importantes e maiores. Fez questão de escolher Manhumirim, na época uma cidade pequenina, modesta, embora na Zona da Mata mineira, rica em café. Manhumirim lembrava ao Pe. Júlio a pequenez e o anonimato de Grave, na Holanda, onde o Fundador de sua Congregação, que ele amava tanto, quis começar a fundação. Ótimo lugar para uma instituição que precisava de aprender a amar e viver a pobreza e a humildade.

Pe. Júlio chegou a Manhumirim dia 24/3/1928. Hospedou-se com o Pe. La Barrera, vigário da cidade. Havia uma igreja nova em construção, construção que se arrastava havia longos anos. A vida paroquial, como um todo, ia no mesmo ritmo. O velho vigário, já cansado, não podia fazer muita coisa. Pe. Júlio ficou ali, procurando conhecer a situação, observando e aprendendo. Limitou-se, durante um mês e pouco, antes de tomar posse, a celebrar a missa, observar as coisas, planejar. A posse aconteceu em fins de abril.

Apaixonado por Nossa Senhora, quis marcar sua entrada na paróquia com um Mês de Maria vibrante, piedoso e muito bonito. Pediu que se improvisasse no interior da igreja nova, ainda em construção, um altar para coroação de Nossa Senhora. Movimentou as crianças e as famílias, que se sentiam renovados com a nova liderança paroquial. Os festejos entusiasmados em honra de Maria Santíssima preocuparam os protestantes, numerosos na cidade e no município, que reagiram, espalhando entre o povo um folheto contra o culto a Maria. Pe. Júlio resolveu aproveitar a ocasião e dar uma resposta séria e firme, baseada na teologia e na Bíblia. Usou para isso o jornal da cidade. Católicos e protestantes notaram logo que estavam diante de um líder, que não apenas fazia festas e celebrava missas, mas que tinha cabeça, tinha poder de fogo intelectual, manejava com segurança e facilidade a palavra escrita. Todos perceberam sua envergadura. Os católicos vibravam. Os protestantes sentiram o peso da mão do novo pároco e missionário.

Não eram tempos de ecumenismo, infelizmente. Eram, antes, tempos de polêmicas e anátemas. Em Manhumirim, as posições se definiram e se antagonizaram. Quem era católico, começou a ser mais firmemente católico; quem era protestante, maçom, espírita teve de se decidir. Não era mais possível ser católico e espírita, católico e maçom. Os protestantes, aliás, sempre foram claramente protestantes. Estávamos diante de um catolicismo militante, aguerrido. Certamente, houve nisso coisas boas e más. Não nos compete aqui nenhum julgamento histórico. Mas é certo que o Pe. Júlio expressava bem uma posição que era a de grandes homens de Igreja naquele tempo, como o Pe. Leonel Franca, S.J. Era preciso - continua sendo preciso - catequizar os católicos, mostrar-lhes sua Igreja, as razões de sua fé e de sua esperança, de modo que eles pudessem decidir-se esclarecidamente, em moral e em doutrina.

O jornal de Manhumirim não queria desagradar nem ao padre, nem aos protestantes. Seu diretor pediu ao Pe. Júlio que escrevesse sobre outras coisas. O Pe. Júlio, porém, achou que os ataques protestantes ao culto de Nossa Senhora tinha sido espalhados entre os católicos e não podiam deixar de ser respondidos. Foi então que resolveu fundar um jornal e um jornal combativo, a que deu o nome de O LUTADOR. O primeiro número saiu em 25 de novembro de 1928 e nunca mais deixou de ser editado. As lutas de O LUTADOR variaram nesses mais de 80 anos, mas ele sempre lutou por algumas causas fundamentais para o Reino de Deus. Com linguagens diferentes, com enfoques diversos, mas sem perder de vista a meta final, os objetivos básicos.


(Este texto é uma resenha e um rearranjo do livro “Pe. Júlio Maria, sua vida e sua missão”, de Dom Antônio Afonso de Miranda, sdn, o primeiro religioso da Congregação do Pe. Júlio Maria escolhido para ser bispo, hoje Bispo Emérito de Taubaté, SP, e que foi o primeiro biógrafo do seu Fundador.)

[Continua...]

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Aniversário de Batismo do Pe. Júlio Maria

No dia de hoje, já há 132 anos, era batizado sub conditione, na bela igreja de Beveren-Leie, o pequeno Júlio Emílio Alberto De Lombaerde.

Grande dia não só para aqueles orgulhosos pais, mas sobretudo para a Igreja de Cristo, que ganhava um cidadão à sua altura. De fato, o mais tarde Pe. Júlio Maria foi um cidadão do céu, um homem a honrar seu batismo até o dia de sua morte, e (mais ainda!) soube ensinar a uma verdadeira legião a honrar seus próprios batismos.

Conta a história que Pe. Júlio não gostava de comemorar seu aniversário natalício – 7 de janeiro – mas festejava com alegria seu aniversário de batismo. Que beleza!

Quantos dos católicos de hoje sabem a data do seu batismo? Todos nós temos em mente a grandiosidade que se opera em nossas almas por meio deste sacramento? Celebrar o Batismo do Pe. Júlio Maria é mais que uma ocasião para festejar, mas é verdadeiramente uma ocasião de refletir se de fato temos cumprido as promessas do nosso batismo.

Eis a transcrição da certidão de batismo do santo fundador:


DE LOMBAERDE, JULIUS – Anno Domini 1878, die 8º Januarii, baptizavi, sub conditione, Julium Aemilium Albertum De Lombaerde, filium legitimum Josephi, ex Waereghem, aetatis 41 annor., et Sidonia Steelandt, ex Waereghem, aetatis 30 annor., conjugum in hac habitantium, domi baptizatum, ob imminens vitae periculum, ab Adelaide De Poorter, obstetrice, ex hac, aetatis ... annor., natum herie hora 2da. pomeridiana. – Susceperunt Henricus Van Eckhout et Sophia Steelandt.

Dês. Du Well. Vic.


(Extraída de BOTELHO, Pe. Demerval Alves, sdn. Paralipômenos Sacramentinos. Ed. O Lutador, 1996 – Pág. 13.)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pe. Júlio Maria e o trabalho paroquial


Por Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, sdn

A V Conferência Latino Americana e Caribenha foi um acontecimento eclesial marcante, pois nos colocou enquanto Igreja num estado permanente de missão. Somos discípulos-missionários de Jesus Cristo, estamos atentos ao mandato missionário do Senhor: “Ide, pois, fazer discípulos meus entre todas as nações, batizai-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).

Quantos estudos, projetos e iniciativas surgiram após os apelos do Documento de Aparecida? Se fôssemos apontar as luzes que já se acenderam após Aparecida, certamente teríamos que gastar muita tinta e papel. Nosso objetivo neste artigo é centrar nossa reflexão a partir da transformação da Paróquia através do empenho missionário do sacerdote, iluminado pelo testemunho de nosso Fundador, o Pe. Júlio Maria De Lombaerde.

O tema torna-se interessante pela sua atualidade e por estarmos no ano sacerdotal, cuja finalidade é animar, fortalecer e despertar no coração de cada sacerdote a certeza de que a fecundidade de seu ministério está na fidelidade a Cristo e à sua Igreja.

O Pe. Júlio Maria, comprovado missionário da Congregação da Sagrada Família, após várias experiências missionárias na Europa e na áfrica, chegou ao Brasil em 1912. Trabalhou nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil. Sempre teve consciência de que a Paróquia não é apenas um espaço físico ou burocrático. Não gastou tempo e nem forças em obras paroquiais pesadas, pelo contrário, dinamizou a vida paroquial através de coisas simples como visitas às famílias e dedicação no atendimento às pessoas que o procuravam para receber o sacramento da reconciliação. Quando se dedicou à construção de colégios, abrigos, hospitais e seminário foi para que seus religiosos usassem esses meios para servir aos destinatários da missão. Sua preocupação era seu rebanho. A necessidade do rebanho era a do pastor. Foi a modo de Paulo um instrumento de fazer o bem a partir das necessidades do seu povo.

A Paróquia, na concepção do Pe. Júlio Maria é um campo de missão onde a Palavra de Deus é anunciada, os cristãos são alimentados pela ação sacramental da Igreja e pela visitação do seu pastor. Aos poucos os féis vão se encontrando com Cristo e mais do que depressa percebem qual é sua missão no mundo.

O jeito de ser sacerdote missionário do Pe. Júlio Maria se manifesta em todas as suas ações. Basta lembrar suas catequeses e pregações, seus escritos, sua preocupação com a formação de novos missionários, sua dedicação no atendimento às pessoas, seu empenho na educação, na saúde, seu carinho com as crianças e com os idosos. Sua forma de ser sacerdote movimentava a Paróquia.

O Pe. Júlio Maria tinha clareza de que a fecundidade do apostolado paroquial não depende exclusivamente das estruturas que temos ou dos agentes de pastoral, mas a transformação paroquial começa no encontro do sacerdote com Jesus Cristo. Ele mesmo dizia, citando o Pe. Giraud, que “não entendia um padre que fosse apenas padre e não hóstia”. No seu jeito de ver, entender e viver o ministério ordenado este pensamento estaria incompleto porque o padre-hóstia “é feito participante de seu sacerdócio, é feito também participante de seu estado hóstia”. Em outras palavras, o padre-hóstia é um sacerdote que vive em tudo sua vocação sacerdotal de presidir a comunidade, santificar o povo de Deus e de proclamar e ensinar a Palavra de Deus. Para que isso aconteça é necessário o encontro de Jesus com seus ministros ordenados. Só um sacerdote apaixonado por Jesus Cristo e por sua Igreja transformará o ambiente eclesial em que vivemos.

O jeito do Pe. Júlio Maria ser sacerdote na Paróquia fala muito a cada um de nós. Seu testemunho nos ajuda a entender o seguinte: “A renovação da Paróquia exige atitudes novas dos párocos e dos sacerdotes que estão a serviço dela. A primeira exigência é que o pároco seja autêntico discípulo de Jesus Cristo, porque só um sacerdote apaixonado pelo Senhor pode renovar uma paróquia. Mas ao mesmo tempo deve ser ardoroso missionário que vive o constante desejo de buscar os afastados e não a simples administração” (DA, n.201). “Para poder realizar frutuosamente o ministério pastoral, o sacerdote tem necessidade de entrar numa particular e profunda sintonia com Cristo, o bom pastor, o qual permanece sempre o único protagonista principal de toda ação pastoral” (DIP, n. 38). O presbítero é a imagem do Bom Pastor, é chamado a ser homem de misericórdia e compaixão, próximo a seu povo e servidor de todos, particularmente dos que sofrem grandes necessidades. A caridade pastoral, fonte da espiritualidade sacerdotal, anima e unifica sua vida e ministério. Consciente de suas limitações, ele valoriza a pastoral orgânica e se insere com gosto em seu presbitério” (DA, n. 198).

O Pe. Júlio Maria revolucionou a vida paroquial com poucos recursos. Seguindo o que diz o Documento de Aparecida ele renovou a Paróquia porque foi um autêntico discípulo-missionário de Jesus Cristo. Dava gosto ser cristão, o povo tinha em seu meio um sacerdote que era um outro Cristo. Isto entusiasmava os fiéis aos grandes heroísmos da fé.

Contemplando o jeito de ser sacerdote do Pe. Júlio Maria, os jovens poderão dizer: “Quero ser um padre-missionário de Jesus de Cristo com o foi este servo de Deus, o Pe. Júlio Maria”. O que fazer? Entre em contato conosco e juntos nos empenharemos na construção do Reino Eucarístico de Jesus.

Fonte: http://pvsacramentina.blogspot.com/2009/10/pe-julio-maria-e-o-trabalho-paroquial.html / Jornal Vocacional Semente, ano XXXVIII, N° 177.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Liga Católica

Neste primeiro número do Lutador merece lugar de honra a fotografia da Liga Católica de Manhumirim. A Diretoria, composta de homens de destaque em nossa sociedade, constitui um elemento de progresso e de dignidade, do qual se pode esperar tudo o que é grande e nobre.

A Liga católica, cuja finalidade é a prática leal e briosa da nossa santa religião, a defesa dos seus sagrados princípios, e o realce das suas cerimônias, já conta com mais de 320 homens.

E este número é apenas um começo.

Em Breve contará seus 500 homens decididos, firmes, que proclamarão bem alto o espírito religioso do povo mineiro, e entre este povo, dos habitantes de Manhumirim.

A concorrência das festas, a freqüência dos ofícios religiosos aos Domingos, a assistência numerosíssima no mais perfeito recolhimento, as conferências semanais dos homens, são provas cabais da vitalidade da religião de Jesus Cristo, e do sopro vivificador que passou por entre os católicos, depois das polêmicas com os protestantes.

Como Deus sabe servir-se do mal, para faze-lo concorrer à realização dos seus planos!

Estávamos numa paz relativa – numa espécie de entorpecimento religioso – o protestantismo julgou a hora oportuna de espalhar os seus erros e seu espírito de revolta contra a Igreja do Cristo – e eis que a pedra que eles atiraram contra esta Igreja recaiu sobre eles e está esmagando-os sob o seu peso.

Não somente a Igreja Católica saiu incólume da peleja, mas saiu radiante, resplandecente, fulgurante; mostrando de um lado a sua fecundidade, a sua santidade, o seu eterno triunfo, e de outro lado, mostrando a perfídia, a hipocrisia e a supina ignorância dos seus adversários: os tais pastores intrusos e mercenários.

O feitiço virou contra o feiticeiro.

Em vez de abalar a fé dos católicos, esta fé arraigou-se, solidificou-se extraordinariamente; e muitos católicos, já meio seduzidos pelo erro, voltaram ao rebanho único e verdadeiro da Igreja Católica, sem falar dos muitos protestantes que renunciaram a seus erros tornando-se de novo filhos dedicados da Santa Igreja.

É sobre as ruínas ainda fumegantes da protestantismo que se fundou a bela Liga Católica, isto é: a união dos católicos verdadeira, para defenderem a sua fé e a fé dos seus filhos, e continuar a repelir, com desassombro, o erro e a revolta de Lutero.

É como órgão desta reação que nasceu O Lutador, que será como o lábaro, o porta-voz, o clarim da Liga Católica, espalhando as suas obras, as suas iniciativas e o seu entusiasmo.

Eis a nossa Liga Católica

É uma força... é um exercício de valentes cujo estado maior é constituído pela Diretoria, tendo à sua frente o Vigário da freguezia[1], ou melhor, o próprio Bispo que ele representa.

Os nossos homens estão de parabéns! O triunfo é nosso, porque temos para nós a Verdade, o auxílio do Altíssimo, a virtude e o número.

E tudo isso é como a desforra dos ataques insensatos dos protestantes.

Hoje o catolicismo de Manhumirim não é mais um catolicismo adormecido, latente; é uma fé vibrante, estuasiasta, empreendedor, conquistador... é um fogo que quer espalhar-se, e há de espalhar-se.

A prova está no belo e fecundo movimento religioso da paróquia.

Além dos 320homens da Liga a paróquia conta com 250 associados do coração de Jesus, 80 membros da Cruzada Eucarística, 60 filhas de Maria e um centro de Catecismo com 215 crianças.

E tudo isso progride, desenvolve-se e há de duplicar-se, com a graça divina.

Eis a nossa força espiritual.

Tudo isso é belo, é grande, e tudo isso indica claramente o dedo de Deus.

Continuamos, decididos e unidos, e breve desaparecerá de Manhumirim a triste e decadente seita do protestantismo, para só deixar subsistir um só rebanho e um só pastor, a unidade da fé, no seio da Igreja Católica: fiet unum ovile et unus pastor, como diz São João (10, 16).

Eis o ideal da Liga Católica. A união faz a força. O catolicismo é a religião da união, como o protestantismo é a seita da desunião.

Continuemos unidos e seremos fortes da força divina, desta força que sempre triunfa, e cujo triunfo é a coroa eterna (II Tm 4, 7).

Eis porque figura neste primeiro número a fotografia dos homens da Liga Católica. Tal fotografia dos homens da Liga Católica.

Tal fotografia é um programa... é um ideal... é um exemplo... é sobretudo um triunfo. O triunfo do Cristo!

Deo Gratias, qui triumphat... nos in Christo Jesu. (II Cor 11,14)

P. Júlio Maria



[1] NdE: Freguezia, na nomenclatura eclesiástica da época, equivale à paróquia.