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segunda-feira, 14 de março de 2011

O primeiro milagre

Meditação do Evangelho de João, 2,1-11.

O Evangelho nos apresenta hoje o primeiro milagre operado pelo Salvador. Este primeiro milagre tem uma relação íntima com o último, que é a instituição da Sagrada Eucaristia. Neste primeiro milagre Jesus Cristo mudou a água em vinho, como na Última Ceia, mudará o vinho em seu sangue.

Ele faz aqui uma transubstanciação, mudando a substância da água na substância do vinho; como para preludiar a esta outra transubstanciação, na qual mudará a substância do vinho, na substância do seu sangue.

No milagre das Bodas de Caná - o primeiro de Jesus -
Ele prenuncia a instituição da Eucaristia.
O milagre de cana é uma figura e um símbolo do que diariamente se opera sobre nossos altares.

Há uma admirável aproximação entre o primeiro milagre, com que Jesus Cristo começou a sua carreira, e aquele com que a terminou: a Última Ceia.

É um fato do mesmo gênero: em ambos estes fatos há uma mudança real, um verdadeiramente vinho, como o vinho do cálice se torna realmente sangue.

O banquete de Cana é a figura do banquete nupcial da nova Lei. Aos servos dos esposos Maria disse: fazei o que ele vos disser; aos ministros da nova Lei Jesus Cristo diz: Fazei isto em memória de mim!

Pode-se dizer que Jesus começa num destes fatos o que deve terminar no outro. Em Caná, Ele inaugura o seu poder, preparando a matéria que deve servir-lhe no cenáculo: o vinho, de certo modo, aproxima-se mais do sangue,  tem com ele mais afinidade [...]. Possui a cor do sangue e exprime a força e a alegria que nos comunica o cálice da salvação.

[...]É o que fez pensar a São João Crisólogo, que o salvador, pelo milagre de Caná, quis dar-nos uma introdução e prelúdio da Sagrada Eucaristia.

Tais são as belas lições que nos ministra o primeiro milagre de Jesus Cristo. Em sua vida, em suas palavras e atos, tudo é significativo, pois tudo obedece a um plano divinamente delineado e executado.

O Salvado, sem revelar o íntimo de seus segredos e as tramas escondidas em sua providência, prepara no silêncio, pouco a pouco, a relação dos mais sublimes mistérios.

Indo do conhecido ao desconhecido, do sensível ao espiritual, Ele prepara o espírito os apóstolos para que na Última Ceia, sem dizer uma palavra explicativa, sem o mínimo comentário, Ele possa realizar, em termos claros e positivos o que havia mostrado, em parábolas, em símbolos, no decurso de sua vida.

Vemo-lo aqui mudar a água em vinho, fazer uma verdadeira conversão de substância ou transubstanciação, para preparar a grande conversão da substância do vinho em seu próprio sangue.

E para que a relação seja mais perfeita e sensível, aqui Ele não diz uma palavra. Podia ter dito: Isto é o vinho, ou isto é a água mudada em vinho... Não! Ele reserva a palavra explicativa para a realidade, na Última Ceia. Então, sim, Ele dirá, do vinho transubstanciado: Isto é o meu sangue!

Pe. Júlio Maria De Lombaerde
In Mistagogia Eucarística do PJM.
Pp 33-34

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Dom Eucarístico

Meditação do Evangelho segundo João 15,26-27;16,1-4
ConsagraçãoNa Santa Missa, pela ação do Espírito Santo, Jesus Cristo se faz presente no Pão e no Vinho
 
O Evangelho que lemos se refere ainda à vinda do Espírito Santo, mas examinando-o de perto e nas minúcias das expressões, descobre-se nele a promessa de um dom especial.

Jesus enviará o Consolador. Enviá-lo-á da parte do Pai. Este dará testemunho de Jesus. Jesus prepara admiravelmente o espírito de seus apóstolos para as grandes coisas que lhes reserva. Jesus quer ficar com os homens: sente-se que tal permanência é como o termo de sua vida terrestre, prestes a terminar-se.

Ele ficará junto com o Consolador que enviará em nome do Pai, e todos três, a Santíssima Trindade Inteira, será hóspede da humanidade, na Sagrada Eucaristia.

A vinda do Espírito Santo, no Pentecostes, é um ato passageiros, uma graça especial para os Apóstolos, mas Ele quer ficar conosco até o fim dos séculos. É o seu dom eucarístico.

A Eucaristia será deste modo a sua morada permanente. É aí que o Consolador Divino enxugará as lágrimas, que o Pai sustentará as nossas forças, e que Jesus nos aplicará os méritos de seu sacrifício.

Por que Jesus nos fez este dom?

Jesus promete enviar o Espírito Santo da parte do Pai para dar testemunho dele. Mas Jesus não se refere unicamente à descida do Espírito Santo, que devia ser o grande privilégio dos Apóstolos, mas sim a sua assistência à humanidade inteira, através dos séculos.

É a Divina Eucaristia. É Jesus inseparavelmente unido ao Pai e ao Espírito Santo, pela única e mesma natureza divina, que deve continuar esta obra de consolação para cada homem em particular. É este o grande dom de Deus... A grande lembrança que Ele nos deixa, como localizada na hóstia santa dos nossos altares. “Com efeito, é pela graça qie vós sois salvos por meio da fé; e isso não depende de vós, é dom de Deus” (cf. Ef 2, 8).

E este Dom Jesus que deixá-lo como lembrança de seu amor passado, e expressão de seu amor presente. Sem este presente, o homem, arrastado pela corrente do esquecimento, teria depressa esquecido as maravilhas da encarnação, o amor extremo da Redenção, a imolação do Calvário, a aniquilação da última Ceia e a iluminação de Pentecostes.

Tudo isso é sublime... mas tudo isso, sem um sinal sensível, sem um dom, ou presente sensível, seria depressa tragado pelo oceano do esquecimento. O homem esquece-se de tudo: os grandes acontecimentos da história, as afeições santas e mais profundas, tudo passa e tudo morre envolto no véu do esquecimento.

Eis porque Jesus não se contenta com promessas e graças espirituais, com suaves enlevos e nobres entusiasmos, Ele quer ficar conosco como dom perpétuo, como lembrança sempre renovada de seu amor.

Ele nos deixa a Divina Eucaristia. Na noite, para sempre memorável, da última ceia, antes de deixar-nos, Ele nos apresenta o seu dom: o dom infinito de um Deus infinito. Ele nos podia ter deixado e apresentado como lembrança o seu presépio, que havia tocado seu corpo adorável... a sua cruz embebida de seu sangue, a sua túnica, manchada pelas suas chagas, o véu de Verônica, representando o seu semblante... Mas Ele achou que tudo isso era pequeno para a intensidade de seu amor.

Eis porque na Última Ceia, após as despedidas lancinantes, dirigidas a seus apóstolos, Ele se levantou de repente, e olhando para aqueles que ia deixar sozinhos, neste mundo, ele abriu a sua túnica, e arrancando de seu peito o próprio coração, todo ensanguentado pelo sacrifício e todo luminoso pelo amor, lhes disse: Eis o meu dom.

Mais poderoso e mais terno que os homens, eu quero vos deixar um dom que seja digno de mim: eu vos dou o meu próprio corpo, a minha alma, a minha divindade. Encerro tudo isso numa pequena hóstia, inerte em suas aparências, mas contendo o céu em sua substância. E não quero que seja uma simples lembrança exterior, mas quero que este dom seja o alimento da vossa alma.

Tomai e comei, isto é o meu corpo... Meu corpo dado a todos, imolado para todos... Feito alimento para todos. Neste dom está a divindade inteira: as três pessoas divinas, vivas e ativas, de uma atividade que é: A força do Pai eterno. O amor do Filho de Deus. A consolação do Espírito Santo.

O que contém este Dom?

Acabamos de dizê-lo: o dom de Deus contém os três elementos, cujos princípios são atribuídos a cada uma das pessoas divinas:

A) Força do Pai Eterno

Quem dividará desta força? Perguntai a todos os homens de bem, aos santos, aos mártires, às almas religiosas, deixando tudo o que o mundo lhes oferecia de gozo e de glória, para irem sepultar-se nas florestas selvagens, nos hospitais de leprosos, na abnegação da educação, perguntai-lhes donde lhes vem a força de fazer tais sacrifícios; tods, sem excessão, apontarão para o tabernáculo e responderão sem hesitar: é a Eucaristia, é a Comunhão.

A Eucaristia contém uma força divina, aliás, significada pela matéria escolhida por Nosso Senhor: o pão. Do mesmo modo que o pão físico é o alimento básico do Corpo, assim o pão celestial é o alimento báscio da alma, a sua força insubstituível.

B) Amor do Filho de Deus

A Eucaristia é o sacramento do amor, porque é nele que Deus manifesta mais claro e mais expressivamente a imensidade de seu amor para com os homens. Amar é dar. Aqui Jesus dá tudo o que tem e o que é: a sua carne a comer, o seu sangue a beber.

O efeito principal da Eucaristia deve ser o amor. [...] Deus é caridade: é a sua definição[...].

C) Consolação do Espírito Santo

[...]O bom Mestre predisse aos apóstolos: Vós haveis de chorar e gemer, e o mundo se há de alegrar (Cf. Jo 16, 20).

É para consolá-los que lhes promente enviar o Consolador. A consolação é uma necessidade na vida: é como a gota de óleo que se deixa cair no “pivô” de uma rodagem: suavisa os atritos, evita o gasto, acelera o movimento.

Estou cheio de consolação, disse o apóstolo, por isso superabundo de alegria (Cf. 2Cor 7, 4).

A Consolação gera, de fato, a alegria, e a alegria dá valor aos dons oferecidos a Deus. E encontramos esta alegria perto de Jesus Sacramentado.

Pe. Júlio Maria De Lombaerde
Comentário Eucarísitico do Evangelho Dominical in Mistagogia Eucarística do PJM, págs 73-78.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Epifania Eucarística

Meditação do Evangelho de Mt 2,1-12

Adoração dos Reis Magos, de Fra Angélico


Epifania quer dizer manifestação. É neste dia eu Jesus se manifestou ao mundo pagão, representado pelos Reis Magos, como se havia manifestado aos judeus na pessoa dos pastores.

Na exposição desta dupla manifestação, o Espírito Santo usa das mesmas palavras significativas. Falando dos pastores diz: “encontraram Maria e José, e o Menino” (cf Lc 2,16). Dos Magos ele diz: “encontraram o menino com sua mãe. E prostrando-se, o adoraram... oferecendo-lhes presentes de ouro, incenso e mirra” (cf. LC 2,11).

Há na Igreja uma cerimônia que muito se parece com esta manifestação de Jesus, aos querem adora-lo; tal cerimônia chama-se Exposição do Santíssimo Sacramento.

Em Belém Jesus estava como exposto nos braços de Maria, à adoração dos magos. Na bênção do Santíssimo, Ele está exposto à adoração de todos.

Na primeira exposição, Ele esconde a sua divindade e humanidade sob as aparências de uma criança. Nesta segunda exposição, Ele esconde sua divindade e humanidade sob as espécies da hóstia: porém é o mesmo Jesus, é o mesmo Deus-homem, vivo e palpitante de amor.

A cerimônia da exposição e bênção do Santíssimo Sacramento é um exercício de grande efeito espiritual, pois, ao mesmo tempo um ato de fé na presença de Deus; um ato de adoração e um ato de amor.

O Evangelho nos mostra os Reis Magos prostrados diante do berço do Menino-Deus, tendo encontrado ali o menino com Maria sua mãe, e oferecendo-lhe os seus presentes simbólicos: o ouro, o incenso e a mirra. O ouro simboliza a realeza de Jesus, o incenso a sua divindade, a mirra a sua humanidade. Sobre o seu trono eucarístico, como no presépio, Jesus é sempre Rei, Deus e Homem.

Como Rei, ele tem direito a nossa sujeição. O adorador prostra-se de joelhos diante da Eucaristia em atitude de humildade e de fé na presença de Deus, escondido sob as aparências da hóstia sagrada.

Como Deus, Ele tem direito a nossas adorações: por isto o ato principal da exposição é a adoração da sua soberana majestade.

Como Homem, Ele é nosso modelo e pela Exposição pública a Igreja mostra o seu aniquilamento para a salvação da humanidade, a sua vida de imolação e sua morte horrível, para excitar em nós a aspiração de imita-lo.

Jesus Eucarístico é ao mesmo tempo grande e pequeno; cabe a nós destacar o que é grande e o que é pequeno.

A fé e a adoração destacam a sua grandeza escondida enquanto a imitação exalta a sua pequenez misteriosa.

A Eucaristia é a espiritualidade central da Igreja: é preciso atrair as pessoas a Jesus Eucarístico. Sendo a Eucaristia Deus Escondido, é preciso faze-lo sair, o mais possível, de seu divino esconderijo, e não podendo manifesta-lo em seu estado glorioso, é mister expô-lo em seu estado eucarístico, velado sem dúvida, porém deixando perceber, pelo menos, o véu sagrado que o esconde.

Vamos, pois, muitas vezes aos pés deste novo Belém, imitando os Reis Magos, e ali encontraremos, nós também, o menino com Maria, sua mãe.

Jesus está ali, sobre o seu trono eucarístico, como nos braços de sua Mãe Imaculada; é ali que Ele quer receber nossas visitas, as nossas adorações, e os presentes que queremos oferecer-lhe: o ouro do nosso amor, o incenso da nossa oração e a mirra dos nossos sacrifícios.


Extraído do livro

“Mistagogia Eucarística do Padre Júlio Maria de Lombarde”, págs 23-23.

Bênção do SSmo. Sacramento com os padres do Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote por ocasião de sua peregrinação a Lisieux

O Papa Bento XVI abençoa os fiéis por ocasião da Solenidade da Epifania do Senhor, Basílica de São Pedro, 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

Livro "Mistagogia Eucarística do Pe. Júlio Maria"


A Editora O Lutador, fundada pelo Pe. Júlio, acaba de lançar o livro "Mistagogia Eucarística do Pe. Júlio Maria de Lombaerde". Trata-se de uma coletânea de meditações eucarísticas sobre diversas passagens da Sagrada Escritura.

DEO GRATIAS!

Capa do livro, que traz a assinatura do Pe. Júlio como
Missionário da Sagrada Família [MSF],
Congregação da qual fazia parte.


As meditações foram todas retiradas de livros do Pare Júlio, em especial do "Comentário Eucarístico do Evangelho Dominical", e também do "Maria e a Eucaristia"e do "Sol Eucarístico e Trevas Protestantes". São 36 textos mistagógicos, cheios da espiritualidade eucarística do Pe. Júlio, que são "o derramamento poético e místico de alguém que tinha como projeto de vida a conformação ao Cristo Eucarístico a partir da figura de Maria Santíssima", conforme nos diz a apresentação do livro.

Tal obra é um grande passo para a difusão da figura do Padre Júlio, tendo em vista que há muito seus livros deixaram de ser publicados. É verdade que não é absolutamente necessário ler o que ele escreveu para conhece-lo, mas se o queremos conhecer bem, temos que conhecer também o que pensava, o que sentia. E é justamente isso o que o padre punha em suas obras. É fundamental, portanto, poder apresentá-lo do ponto de vista de sua literatura.

E não é só. O "Mistagogia Eucarística", apesar de já ser, em si, uma grade realização, é parte de um projeto mais amplo: É o primeiro volume da coleção "Escritos do Fundador". Esperaremos com ansiedade os próximos volumes!

Não poderia deixar de agradecer, ex cordis, ao Revmo. Pe. Marcos Antônio Alencar Duarde, sdn, superior da Pastoral Vocacional Sacramentina, que como tal compilou os textos, organizou e levou a cabo a publicação do presente volume. Será um instrumento importantíssimo na pastoral, bem como para, como já disse, tornar o Pe. Júlio melhor conhecido mundo afora.

Agradecimentos também à toda equipe editorial: Ao Rodrigo Ladeira, sdn, pela diagramação e arte, aos padres Heleno e Herval, sdn, pela revisão, ao Diácono Jesus Sombra, sdn, pela revisão e introdução e em especial ao Revmo. Pe. Carlos Roberto Altoé, superior-geral dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, pelo apoio e estímulo.

TE DEUM LAUDAMUS!

E agora, o mais importante! Como comprar o livro!

Para adquirir o volume, basta entrar em contato com a Editora O Lutador:

Gráfica e Editora O Lutador
- Telefax: (31) 3439-8000 -
- comercial@olutador.org.br -
Praça Padre Júlio Maria, 01 - Bairro Planalto - Belo Horizonte/MG

Poderá também comprar direto pelo sítio da editora [http://www.olutador.com.br], nesse link: [http://www.olutador.com.br/informaximo/loja/descricao.asp?codigo_produto=242], que já leva direto à página de descrição do Mistagogia Eucarística. E não é caro: apenas R$ 20,00, com toda a qualidade editorial da Editora O Lutador!

Espero que os interessados possam conhecer melhor a pena refinada e fidelíssima à Igreja e à seu tempo do Pe. Júlio!