sábado, 19 de outubro de 2013

XV Capítulo Geral SDN

XV-CAPÍTULO-1º-DIA-14102013-LPF-20Os Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento celebraram, de 14 a 18 desse mês de outubro, seu 15º Capítulo Geral Ordinário. Segundo as Constituições da Congregação, os espírito que anima os missionários sacramentinos deve ser “marcadamente eclesial”. Portanto, o Capítulo se afigura como um evento não somente do grupo congregacional mas de toda a Igreja. É um momento para que a Vida Religiosa, dom de Deus para a sua Igreja, se reveja e se renove a fim de trabalhar mais e melhor para a construção do Reino de Deus.

Mas, enfim, quais são os objetivos principais de um Capítulo Ordinário?

Pe. Mayrink, SDN - Superior Geral - faz
a entrega do Capítulo nas mãos de Deus.
Para o capítulo, são convocados os representantes dos religiosos segundo a sua função: os atuais membros do Conselho, os superiores das comunidades locais e um representante para cada grupo de 10 religiosos, eleitos pelo seu grupo para a ocasião.

O Colégio Capitular assim constituído possui, genericamente, três funções bastante importantes para a vida da Congregação.

Primeiro, zelam pela unidade do grupo. É um momento para encontros, conversas, partilha de experiências pessoais e missionárias. No capítulo há momentos reservados para que cada região apresente um relato dos trabalhos apostólicos desenvolvidos naquele lugar. Assim o grupo vai se tornando mais coeso e consciente de seu próprio trabalho. É, assim, um momento de revisão.

O Colégio Capitular
Em segundo lugar se encontra a preparação de um plano operacional para o próximo quadriênio (no caso, 2014-2017). Os capitulares definem planos e metas a curto, médio e longo prazo. É por isso que o Capítulo é a instância máxima da Congregação: o Conselho Geral e os diversos missionários em outras áreas de missão devem pautar seu trabalho pelo plano traçado durante o Capítulo. É em nome do grupo que agem. Nesse processo, o XV Capítulo foi acompanhado pelo missionário redentorista Pe. Dalton, CSsR.

Finalmente, o momento mais esperado não só pelos capitulares mas por todos os outros membros da Congregação e por todo o povo: a eleição do novo Superior Geral e de seu Conselho. É o superior quem tem a função de animar os religiosos para que sejam sempre fiéis à Vida Religiosa, além de governar juridicamente a Congregação.

Para o próximo mandato, o Governo Geral fica assim constituído:

Superior Geral: Revmo. Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN.

1º Conselheiro: Revmo. Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, SDN.
2º Conselheiro: Revmo. Pe. Heleno Raimundo da Silva, SDN.
3º Conselheiro: Revmo. Pe. Luís Carlos Ramos, SDN.
4º Conselheiro: Revmo. Pe. Márcio Antônio Pacheco, SDN.

É um conselho de missionários jovens, prontos para acompanharem os novos tempos do desenvolvimento da Igreja e da atual sociedade em que vivemos. A missão que a eles foi confiada não é fácil, mas extremamente necessária. Viverão doravante mais ainda sob o lema que o Pe. Júlio Maria De Lombaerde quis para os seus filhos espirituais: “Amor e Sacrifício”.

Para conferir como foi o dia-a-dia do Capítulo Geral, basta conferir o portal da Congregação:

1º dia                                      2º dia
3º dia                                      4º dia                                   5º dia

O atual Superior Geral, Pe. Geraldo Magela de Lima Mayrink, SDN, juntamente com os demais membros de seu Conselho, permanecem em suas funções até o dia 14 de janeiro de 2014, data da posse nos eleitos. Esses dois próximos meses são especialmente pensados para que as futuras transferências aconteçam com bastante tranquilidade e naturalidade, tanto para os religiosos quanto para as obras nas quais trabalham.

Por tudo isso, louvados sejam Jesus e Maria. Que o Pe. Júlio Maria interceda pela sua Congregação, que ele tanto amou. E que nos ajude a encarnar em nossas vidas a espiritualidade sacramentina que ele experimentou e nos comunicou.


Primeira Missa do Governo Geral eleito, na Matriz do Senhor Bom Jesus de Manhumirim-MG

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sustentador e Conservador da Igreja



A centralidade de Cristo em Mt 24 a partir do Pe. Júlio Maria De Lombaerde

Por Matheus R. Garbazza

O evangelista São Mateus oferece à comunidade cristã uma preciosa preparação à narração dos eventos máximos da Fé cristã que são a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor. Trata-se do chamado “sermão escatológico”, no qual o Divino Mestre tece algumas considerações a respeito do fim dos tempos e do Reino dos Céus. Esta preparação, constituída pelos capítulos 24 e 25 de seu Evangelho, termina com o convite à vigilância constante, à modo das cinco virgens prudentes que levaram óleo de sobra e dos servos que souberam empregar os talentos concedidos pelo seu senhor. Isso porque não nos é possível saber o dia ou a hora da vida de Cristo e da instauração definitiva de seu Reino.
Concentremo-nos no capítulo 24, a abertura da fala escatológica de Cristo. Logo de início, temos Jesus e seus discípulos caminhando para fora do Templo em Jerusalém. Os discípulos, marcados pela imponência da construção simbolicamente mais importante do povo judeu, aproximam-se para mostrá-lo a Jesus. O Mestre reage com uma afirmação forte e assustadora: “Não estais vendo tudo isso? Em verdade vos digo: não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído” (v. 2). Certamente foi um choque para os ouvintes, que logo após questionam: “dize-nos: quando será isso?” (v. 3). É a partir desse ponto que Jesus passa a falar sobre os sinais de sua vinda, o que acontecerá antes e como poderá ser sentida a sua aproximação.
O sinal mais marcante enumerado pelo evangelista, a partir da profecia de Daniel, é a “abominação desoladora instalada no lugar santo” que é o Templo (v. 15). Depois de passar pelos outros diversos sinais, termina o capítulo com o convite à fidelidade e à obediência (isto é, à escuta profunda da Palavra, colocando-a em prática). Para tanto, é utilizada a figura dos dois servos (v. 45-51): o fiel, que guardou bem a casa de seu senhor e assim recebeu a administração de seus bens, e o infiel, que foi injusto, comeu e bebeu desregradamente e espancou seus companheiros. Se o primeiro conquista a bem-aventurança, para o segundo resta o “choro e ranger de dentes”.
Deixando um pouco a exegese literal do texto a respeito dos últimos dias e da vinda de Cristo, podemos nos aproximar de uma realidade de suma importância para nós cristãos que, caminhando entre as vicissitudes da existência, encontramos Nele a força e a esperança. A partir da consideração a respeito do Templo perecível em São Mateus, podemos voltar nossos olhares para o templo imperecível da Nova e Eterna Aliança: a Igreja – Corpo Místico de Cristo.
É esse o esforço empreendido pelo Pe. Júlio Maria De Lombaerde em seu texto “Os Templos Eucarísticos”, parte de seu livro “Comentário Eucarístico do Evangelho Dominical”. O ponto de partida é exatamente o templo e o anúncio de que se veria nele instalada a abominação desoladora. Dessa ótica, explanando o objeto de estudo do livro – a Eucaristia – pode-se perceber um dado importantíssimo no pensamento geral da Igreja e do Pe. Júlio Maria, seu filho fiel: a centralidade de Cristo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O Segredo da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria [VIII]




CAPÍTULO VI
 OS FILHOS DE MARIA

Após o título de “servo de Maria”, comum a todas as criaturas, existe um outro, mais íntimo, mais consolador, mais fecundo em graças, e que não constitui apenas uma garantia de salvação, mas um penhor de perfeição. É aquele que nos é conferido pelo Santo Batismo: filhos de Deus e de Maria – Este capítulo, embora trate em geral dos filhos ou filhas de Maria, convém, de um modo especial, às FILHAS DE MARIA, que ao seu título comum ajuntam o título particular de “Pia União”, externando assim uma dependência mais amorosa da Virgem Imaculada.
Sejam estas almas ESCOLHIDAS dignas deste nobre título... Para elas, sobretudo, a Santíssima Virgem será sempre Mãe cheia de ternura.
Ser SERVO de Maria é já esplêndido e consolador! Mas ser FILHO ou FILHA de uma tal Mãe é ter com segurança, sempre a nosso serviço:
Seu coração, para compadecer-se de nossas penas;
Seu olhar, para seguir-nos em toda parte;
Suas mãos, para comunicar-nos os tesouros de seu Filho;
Seus braços, para sustentar-nos no caminho;
Sua alma, sobretudo, para nela acharmos com que cobrir nossas misérias e adornar a nossa alma com seus merecimentos.
E não temos nós necessidade de tudo isso? O servo trabalha por interesse; seus serviços são devidamente remunerados. É na recompensa que o servo encontra o maior motivo de dedicação.
O filho nada espera; seus serviços são prestados sem recompensa convencionada. Trabalhando para seus pais, sabe que trabalha para si. É um membro da família, a ela está ligado pelos laços mais íntimos de amizade e de afeição... dedica-se unicamente por amor.
Também ele, é servo. Porém, é mais que isso: é filho; serve... mas serve por amor.
Ó Maria, doce e incomparável Virgem, tu és verdadeiramente nossa Mãe!... Faze que sejamos teus dignos filhos! Dignos de teu coração – dignos de teus cuidados, de tua solicitude; dignos sobretudo, de tua bondade!
I. Grandeza deste título
Maria é nossa Mãe! Doce e consoladora verdade!
Pensemos com amor na consequência: Somos seus filhos!
“Confiança preciosa! Refúgio seguro! – exclama Santo Anselmo – a Mãe de Deus é minha Mãe! – Mater Dei est Mater mea”.
“Ah! Minha alma – acrescenta São Boaventura – diz com toda a segurança: Alegrar-me-ei, exultarei de prazer, porque, seja qual for o julgamento que mereça, minha sentença depende de meu Irmão e de minha Mãe”.
Não o esqueçamos, porém: “Nobreza obriga”.
Os filhos, geralmente, se comprazem em ouvir falar que são dignos de seus pais, que têm traços de semelhança com eles, etc.
Filho e filha de Maria, não sejais estranhos a este justo sentimento!
Um servo de Maria pode adiar na dependência da Virgem Santa uma garantia de salvação. Um filho de Maria deve nela achar um penhor de perfeição.
Que fazer para conseguí-lo? Ser um verdadeiro filho de Maria!
II. Deveres de um Filho
Um filho deve à sua mãe: obediência, honra e amor.
Jesus Cristo cumpriu este tríplice dever para com Aquela que Ele chamava “sua Mãe” e que, na verdade, o era. Seria possível haver hesitação para seguirmos seus passos e prestarmos à Virgem-Mãe homenagens, de que Ele próprio nos deu o exemplo?
Obediência a Maria, para cumprir os mandamentos da lei de Deus e da Igreja, e nossos deveres de estado.
Honra, para prestar, com sinceridade, o culto que lhe é devido. Amor, invocando-a e esforçando-nos para nos assemelharmos a Ela, tanto quanto possível.
Somos filhos de Maria! Doce e consolador pensamento!
Aqui na terra um filho se orgulha da honra de sua mãe, da bondade, do poder daquela que lhe deu a vida. Oh! Como podemos ufanar-nos de Maria! O título de filho de Maria contém entretanto mais que isso. O servo trabalha para seu dono; o filho, ainda fraco, não pode trabalhar, por estar na idade de formação... Deve primeiro ser educado. O filho deve ser educado. – Palavra profunda e significativa!
De fato, a mãe educa seu filho, em primeiro lugar na vida material, até que, superando sua fraqueza nativa, ele possa sustentar-se.
Verdadeiramente, tudo isso é a tarefa da Virgem Mãe e a imagem de nossa educação espiritual.
Não precisamos ser elevados acima desta vida dos sentidos; terrestre e animal, na qual fraquejamos e caímos a cada instante?
Fracos demais para sustentar-nos, temos como as crianças, necessidade da mão materna que nos sustenha a cada instante, que nos encaminhe e nos soerga para as coisas elevadas.
Mas, se temos as fraquezas e defeitos da infância, podemos, e até mesmo devemos, adquirir as qualidades d’Ela.
O que as crianças são por condição e necessidade, devemos ser por virtude.
Este é o sentido daquela palavra de Jesus: “Se não vos assemelhardes às crianças, não entrareis no reino do céu”.
III. A dependência dos filhos
É próprio da infância, e é seu distintivo mais notável viver em estado de dependência. A quem está entregue a criança? À mãe.
De toda criança pode-se dizer o que Monsenhor Gay escreve a respeito do Menino Jesus:
“Sua infância esteve entregue a sua Santa Mãe. Durante os nove meses que Ela o trouxe em suas puríssimas entranhas, só pertencia a Ela. Todo o tempo de sua meninice, Ele não a deixou. Era nos seus braços que repousava e sobre o seu peito que respirava e vivia; era d’Ela imediatamente que dependia em todas as coisas. José é o chefe da Sagrada Família; mas durante os primeiros anos o pai aparece menos que a Mãe. Mais tarde, em Nazaré, sua autoridade se exerce mais visivelmente; é a ordem, pois o pai deve dirigir o filho adolescente. Em Belém, no Templo de Jerusalém, e no começo de sua vida no Egito, o primeiro papel cabe a Maria. Somente Ela o envolve e o veste; somente Ela o alimenta e aquece; e quando é preciso ir aqui ou ali, Ela é quem o leva” – cf. Mons. Gay, XIX, Elevação.
 Tal deve ser o papel da Virgem Santíssima para conosco, seus filhos. Precisamos ser     educados na sua escola, pelos seus cuidados, sob o seu olhar... Devemos viver perto d’Ela.
Viver perto de Maria, sob seu olhar vigilante, perto, pertinho de seu coração... eis a vida de um verdadeiro filho de Maria!
Não vivemos de coração e de espírito com aqueles que nos são caros, mesmo depois de a morte no-los ter arrebatado dos braços?
Por que não viveríamos deste modo perto de Maria?
Sua lembrança seria tão suave, tão animadora, nas horas de fraqueza! Suas lágrimas e seus sorrisos, suavizariam tanto as revoltas e rebeliões dos sentidos!...
Que irradiação de paz seria para as almas o sentirem-se amadas!
Que esperança de perdão para o culpado o ver-se protegido!
Ser dirigido, que abundância de graças para o coração que deseja dedicar-se!
Que luz nas dificuldades da vida! Uma mãe está sempre presente.
“Podeis ter amigos, quantos quiserdes – diz Monsenhor Pio – amigos fiéis, ternos quanto possível; nunca uma criatura vos amará como vossa mãe”.
“Maria nos ama – diz Santo Stanislau Kostka – como Ela amava a seu Filho Jesus”. – Ela tem por nós o mesmo interesse e nos cerca dos mesmos cuidados, da mesma dedicação. É preciso, pois, ir a Ela com a mesma confiança que seu divino Filho.
Oh! Vivamos perto de nossa Mãe! Cerquemo-nos da lembrança de Maria, como de um manto para abrigar-nos, como de uma luz e de uma força que não nos deixem nunca separar de Deus. Servos de Maria, devemos-lhe dedicação. Filhos de Maria, devemos-lhe filial amor.
IV. O exemplo do Menino Jesus
Para terminar, escutai esta página de São Francisco de Sales:
Se alguém tivesse perguntado ao Menino Jesus, durante o tempo em que foi levado nos braços de sua Santa Mãe, onde ia, Ele teria respondido:
– Não vou, é minha Mãe que vai por mim.
– Mas, ao menos, vais com tua Mãe?
– Não, se vou onde minha Mãe me leva, não vou com Ela, nem com meus próprios passos, mas vou pelos passos de minha Mãe, por Ela e nela.
– Mas, ao menos, ó querido Menino, te deixas levar por tua doce Mãe?
– Não, de certo nada quero de tudo isso; mas como minha bondosa Mãe anda por mim, também Ela quer por mim. Deixo-lhe igualmente o cuidado de ir e de querer ir por mim, aonde bem lhe parecer, e, como ando somente pelos seus passos, assim só quero pelo seu querer.

Eis, em resumo, nossa regra de comportamento como “filhos de Maria”: a docilidade e a vida de união. Conceda-nos a boa Mãe viver uma tal vida, pois é tão suave viver perto de um coração de mãe!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

21 de agosto - dia de São Pio X

Papa São Pio X trabalhando em seu escritório
"Como já mostrei acima, o Papa, embora seja homem de idade avançada, não é uma MÚMIA, mas é de uma atividade e de um espírito de trabalho espantoso.

O Papa anda, viaja, passeia até, e em vez de ser carregado, é capaz de carregar os outros, como tem acontecido com diversos Papas, que carregavam até doentes para o hospital.

A vida do papa, como provarei mais tarde, é antes de tudo uma vida de oração, de meditação e de união a Deus, para poder governar a catolicidade, porém os Papas são homens de ação... e de ação quase milagrosa [...]

Quem não ouviu falar da atividade assombrosa do Santo Pio X, reformador do Direito Canônico, do cantochão e de muitas outras modificações úteis na Igreja, por este Pontífice levadas a efeito?"

DE LOMBAERDE, Pe. Júlio Maria. O Cristo, o Papa e a Igreja. Manhumirim: O Lutador,1940, p. 54.

domingo, 18 de agosto de 2013

Honrar e Invocar a Mãe de Deus

Pe. Júlio Maria De Lombaerde

Ecce mater tua: eis a tua mãe (Jo 19,26). Sendo a nossa mãe, a Santíssima Virgem tem o direito a uma honra e a um culto acima das honras e do culto que tributamos às outras criaturas.

Honramos e exaltamos os grandes homens da terra, os heróis, os gênios, os beneméritos da humanidade; e não honraríamos, nem exaltaríamos aquela a quem devemos o Redentor, o Filho de Deus, numa palavra: a salvação! O bom senso se revoltaria contra tal asserção negativa!

E não somente honramos os benfeitores da humanidade; nós fazemos os seus retratos, erigimos-lhes estátuas e monumentos; e não o faríamos para a mais bela, a mais santa e mais benfazeja das criaturas, que é a Virgem Mãe de Deus? O coração humano se revoltaria contra a asserção negativa!

Tiremos a conclusão: é, pois, lícito é lógico, é necessário honrar a SS. Virgem.

Honrá-la não é o bastante. É preciso invoca-la, pois a invocação é uma parte constitutiva do culto. As horas prestadas exaltam a grandeza e a virtude. A invocação exalta o poder e a bondade.

Maria Santíssima é grande pela sua qualidade de Mãe de Deus e pelas exímias virtudes que a adornam. Ela é poderosa e bondosa como a mãe dos homens; poderosa para poder ajuda-los; bondosa para querer fazê-lo.

Ora, nós, aqui na terra, somos pobres pecadores, somos necessitados e fracos; precisamos de auxílio, de forças e de generosidade. A quem pedi-los? Aos homens? Os homens sabem apenas dar a esmola material; só Deus pode sustentar e fortificar a alma. É dele, pois, que devemos receber a esmola espiritual.

E esta esmola é transmitida aos homens pelas mãos da Santíssima Virgem. Ela é a cheia de graça (Lc 1,28) para poder transmitir aos homens a graça, como o canal transmite aos campos, ressequidos pelo sol, as águas do oceano.

Tal um canal repleto, que recebe as águas e as transmite aos campos, assim a Virgem Maria recebe de Deus as graças divinas para comunica-la aos homens.

Maria, diz São Bernardo, “está colocada entre Jesus Cristo e os homens para ser o canal que esse divino salvador derrama sobre a humanidade... Deus escolheu Maria –diz ainda o nosso doutor- para ser o canal das graças, e ele quer que as alcancemos todas pela sua intercessão” (Sermo de Aquæducto).

Maria Santíssima pode, pois, ajudar-nos, porque é Mãe de Deus... Ela quer ajudar-nos, porque é nossa Mãe. Ela nos ajuda, porque é o ofício de que o próprio Deus a encarregou.
Fonte: Luz nas Trevas. Petrópolis: Editora Vozes, 1955, p. 38-39. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Marcha do Centenário

Como sabemos, Pe. Júlio Maria nasceu no dia 07 de janeiro de 1878, na Bélgica. Mas gostava mesmo é de comemorar no dia 08 de janeiro, dia em que recebera a graça de Deus na fonte batismal - ainda que às pressas, pois seu estado de saúde quando recém-nascido inspirava cuidados.

Pois bem. No ano de 1978 a Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, juntamente com as duas outras congregações religiosas da família julimariana (Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora e Irmãs Filhas do Coração Imaculado de Maria) celebraram o ano jubilar do Centenário de Nascimento do Revmo. Pe. Júlio Maria.

Dentre as comemorações, deu-se a criação de um hino que representasse o espírito daquela festa.

O que ocorreu então? O fato é que tal hino serviu não apenas para marcar a data, mas se tornou praticamente o Hino da Congregação Sacramentina. Onde quer que os missionários se reúnam, ele é sempre cantado com entusiasmo e vigor pelas falanges dos filhos do Pe. Júlio.

Ainda mais agora, com perspectiva de sua beatificação, as palavras finais do hino ecoam forte nos corações:

"É bem pouco pra ti sepultura, necessário se faz um altar!"

***


Marcha do Centenário
Letra: Dr. Ivan Fornazier Cavalieri
Música: Aristides José

Missionário que veio de longe
No Brasil com ardor congregar
Muitas almas em torno de Cristo
Por Maria a serviço do altar

REFRÃO
Padre Júlio Maria Lombaerde
É chegado o momento de glória
O seu nome, para sempre
Há de ser relembrado na história

Sacerdote do Amor-Sacrifício
Peregrino de bens imortais
Desde o Norte e Nordeste da Pátria
Às montanhas de Minas Gerais

A visão de teus filhos em marcha
É semente de auroras de luz
A se abrir em grandezas fecundas
Para o reino da Paz e da Cruz

É bem pouco pra ti sepultura
Necessário se faz um altar
Aos teus feitos marcantes e nobres
À vitória que se há de exaltar

________________
Notas:
1 - Tanto o autor da letra quanto o compositor da melodia foram seminaristas da Congregação.
2 - Por licença poética, omite-se o "De" no nome do Pe. Júlio Maria De Lombaerde.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A Santidade da Vida Cotidiana

São Josemaría Escrivá, Pe. Júlio Maria De Lombaerde e o Concílio


Por Matheus R. Garbazza

O santo nunca foi aquele desligado de seu mundo e de seu tempo. Configurados à pessoa de Cristo, cabeça da Igreja, todos os homens e mulheres que viveram virtuosamente a sua vida terrena foram profundamente inseridos no ambiente em que viviam, justamente com a finalidade de incitar em seus contemporâneos o mesmo ardor com que serviam eles mesmos aos seu Criador. Mesmo os santos eremitas e as santas enclausuradas deram a seu modo um testemunho profundo de vida e de virtude.
Se observamos a própria vida do Redentor, somos levados invariavelmente à mesma conclusão. Inúmeras são as páginas do Santo Evangelho que nos mostram Jesus caminhando com o povo, comendo, rezando e conversando com as pessoas. De tal forma que o nome “Deus Conosco” (Emanuel) não é apenas um devaneio poético, mas uma realidade palpável que se pode experimentar ainda hoje, para além do tempo e do espaço restritos em que Jesus viveu, pela ação sacramental da Igreja.
Da pregação e da ação de Jesus e de seus seguidores, desde os tempos apostólicos até os nossos dias, duas coisas chamam a atenção: a vocação universal à santidade e a santidade da vida cotidiana. Se às vezes fazemos da vida dos santos uma imagem idealizada e inalcançável, basta relermos os Evangelhos para verificar de perto quem é o santo: uma pessoa como eu e você, mas que toma a peito as consequências de sua opção fundamental por Deus e pelo seu Reino.
Talvez mais do que em qualquer outra época, nosso século é dotado, ao mesmo tempo, de duas características paradoxais que colocam o bom católico em cheque: de um lado, observamos um desprezo pela religião e suas formas externas, com um crescente número de pessoas que se declaram “atéias” ou outras coisas semelhantes. Por outro lado, existem aqueles que fazem sua própria fé: tomam elementos de uma ou outra crença, e os misturam numa espécie de “supermercado sagrado”.
Essas formas nada novas de crítica à fé e à Igreja são ainda marcadas por movimentos paralelos, que pretendem ter a força de uma opção incondicional do sujeito, e que apregoam valores semelhantes aos da fé. Em nome da justiça, da igualdade e da tolerância, rejeitam Deus de seu horizonte e colocam-se a si mesmos como o centro da vida e da sociedade.
Perceber bem qual é a figura do santo é essencial para manifestar a solução da fé para a encruzilhada da modernidade. Vivemos num tempo que precisa de santos, como lembraram e insistiram todos os últimos Pontífices. Entre tantos caminhos e desvios, é a estrada da fé, a estrada estreita, que pode oferecer ao homem e à mulher do nosso tempo um sentido e uma saída para os seus dilemas.